Já que não consigo abrir nenhum dos documentos de que preciso para adiantar a minha pesquisa relativamente às faculdades onde pretendo fazer Erasmus, finalmente consegui o livro essencial para Projecto e já reservei aquele que o professor de Teoria da Imagem pediu, e ainda tenho uma hora e meia até à próxima aula, vou aproveitar para por em dia os sonhos em atraso de que me recordo.
No mais antigo de todos, eu estava num carro, no lugar do pendura, com o meu amigo Diogo, que ocupava o lugar do condutor. Suponho que tivesse tirado a carta à pouco tempo, porque estava sempre a espreitar ansiosamente por cima do ombro e a hesitar antes de pensar sequer em encostar os pés aos pedais.
Já a ficar nervosa, comecei eu própria a mexer-me no banco, olhando atentamente à minha volta para me certificar que tudo corria bem e ele não nos matava aos dois.
Muito devagarinho, o Diogo lá arrancou, e pouco depois conduzia muito bem. Agora que confiava mais nele, deixei-me relazar e aproveitei a viagem.
Antes de a viagem começar, o carro estava estacionada num local muito semelhante a uma rua de Massamá, que tem de um lado o "Barco do Mimo" (outrora "Mimo Infantil". Foi o meu jardim de infância), e do outro uma escola pré-primária (onde eu andei também).No sonho, a escola pré-primária não existia: havia, no seu lugar, um parque de estacionamento. Era lá onde estava o carro.
Houve outro sonho em que tinha ido com os meus amigos ao Bairro Alto. Sabia que tinha sair cedo, por que teria de regressar a pé para casa enquanto as estradas estavam fechadas ao trânsito de automóveis (não sei porquê, mas neste meu sonho ninguém podia conduzir durante a noite). Porém, ao longo de toda a noite eles foram insistindo para que eu ficasse, e eu ia adiando a hora de me ir embora... Até que o Sol começou a nascer.
Em pânico, comecei a correr a caminho de casa. Só conseguia pensar que a minha mãe se ia passar comigo...
Quando cheguei ao túnel do Gril, estava desesperada: jamais conseguiria chegar a tempo! Foi então que um belo princípe (sim, era mesmo um princípe, com calças justas e aquelas camisolas com ombros redondos e almofadados) apareceu de repente à minha frente: parecia magia.
Ele disse-me para não desistir, e quando argumentei que estava tudo perdido, ele insistiu que tudo iria correr bem.
Apesar de não confiar muito nas palavras dele, pus-me novamente a correr pelas estrada fora.
Pouco depois, numa curva na A8 onde uma dia estive num acidente de automóvel, tornei a ver o princípe. Estava rodeado de pás, pinos,... em suma, todos o que é necessário para fazer obras numa estrada.
Foi então que o reconheci: era o meu pai. Pedi-lhe que não me deixai-se, e voltasse comigo para casa, mas ele recusou e desapareceu.
Quase imediatamente, fui rodeada de pessoas e seres fantásticos, e apareceram edificios colorios (principalmente de cor-de-rosa e cor-de-laranja) em forma de abóbora à minha volta. Ao que parece, era o meu povo, muito feliz por m e tornar a ver. Trataram-me por "princesa" e começaram a cochichar entre eles que um principe misterioso usara magia para parar o tempo e me ajudar a chegar a horas a casa.
Não chegara à Venda do Pinheiro, nem sequer a meio do caminho, mas no sonho aquele lugar era a minha casa.
Noutro sonho, estava numa floresta escura, com árvores e arbustos bidimensionais que pareciam saídos de um videojogo de baixa qualidade, em tons escuros de castanho, laranja, verde e cinzento. Não era a única: o meu irmão, e muitas outras pessoas, talzes amigos ou colegas, estavam lá também. Porém, cada um seguia o seu caminho, e só nos encontravamos raramente. Acho que estávamos a fugir de algo, ou então a caçá-lo. O sonho terminou quando ao contornar um arbusto deparei com uma impenetrável barreira de árvores. Era ali que eu tinha de chegar: havia alguma criatura escondida na folhagem. Mas será que tinha de a caçar, ou apesar de dever fugir dela, e eu estava decidida a enfrentá-la?
Há uma ou duas noite, tive um sonho muito especial: durante uma fracção de segundo, estava a passear nos montes na Venda do Pinheiro, durante o dia. Depois, estava num local deserto, atrás de uma grande casa branca, separada do mato cerrado por uma estrada de terra batida. Era noite escura, e eu estava um pouco assustada. Então vi uma sombra caminhar para fora da floresta. Era um homem. Veio ter comigo a sorrir, e, depois de o reconhecer, chamei-o também a rir. Ele aproximou-se de mim, abraçou-me, e beijou-me. Foi um beijo quente, devastador, que me deixou rendida nos braços dele. De seguida, despediu-se, e correu de volta para a floresta.
Em casa, com o meu irmão, ele contou-me que tinha encontrado um qualquer coisa espectacular algures onde eu estivera a passear.
-Então queres ir lá comigo? - perguntei ansiosamente.
-Yah, claro! Já fui lá ontem!... (o Tomás, a passear? Só em sonhos, mesmo...)
Subimos juntos o monte. A certa altura, a subida era tão ingreme que tinhamos de trepar. Não era nada fácil, mas mesmo assim rimos o caminho todo.
Quando chegamos ao cima, passámos por um velho e ferrugento portão de ferro (semelhante ao do "Casal dos Dois"), e, talvez dois metros à frente, passasmos por outros, que não sei se era de madeira, ou só uma espessa camada de vegetação.
Entre os dois portões, estava uma estranha criatura muito pequena, que umas vezes me parecia uma burrinha, outras, uma gazela.
Estavamos a admirá-la quando um grupo de cão ferozes correu em direcção ao portão de ferro, direito ao pequeno animal. Ladravam ferozmente, sacudindo longos fios de saliva que lhe spendiam dos baiços. A pequena criatura agachou-se e caminhou até um canto mais escondido entre os dois portões.
Deduzindo que ela estaria a salvo dos cães, eu e o meu irmão passámos o segundo portão e continuámos.
Quando chegámos àquele local fantástico onde eu tinha encontrado aquele homem, era noite cerrada (parecia que, independentemente de no resto do mundo ser dia, ali era sempre noite).
-Tens de acreditar que a pessoa que tu queres ver está mesmo ali! Se acreditares, ela aparece! - eu sabia que essa pessoa, tal como o homem que me beijara, se tratava apenas de uma ilusão, mas ainda assim falava dela como se fosse real.
Enquanto eu e o Tomás corríamos para o sítio, vimos os nossos primos Marta e Alexandre voltarem a correr de lá, cada um com um sorriso maior que o outro. Muito entusiasmados, começaram a falar do que tinham visto e a dizer ao meu irmão que fosse experimentar.
Mas quando ele se estava a aproximar, ouviu-se subitamente o braulho ensurdecedor do motor de uma mota, que apareceu numa estrada de terra por entre as árvores, diante de nós. A mota caiu do céu, e aterrou de uma maneira muito cómica: a saltitar sobre uma mola que tinha sob a roda dianteira, de maneira que parecia um saltitão. O piloto era agitado perigosamente, com a cara a aproximar-se e afastar-se do chão.
Desatámos todos a correr, em pânico. Logo a seguir apareceram ovnis (policiais), mais motas saltitonas (policiais) e áinda carros (também policiais).
De repente estávamos rodeados de homens quen nos gritavam que estávamos em perigo, e a dizerem que tinham de investigar o local.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Uma infestação zombie... outra vez
Ha umas quantas noites, tornei a sonhar com zombies: suponho que tenha alguma coisa haver com a serie "walking dead", de que gosto muito.
Desta vez, sonhei que estava em minha casa, em Massama, e que tinha havido uma infestação.
Os estores estavam todos corridos, e não me lembro se era dia ou noite la fora.
Estava com o meu irmão na casa-de-banho diante do meu quarto, e dizia-lhe:
-Tomas, se me acontecer alguma coisa, quero que saibas que te amo muito...
-Sim, sim, 'ta bem, deixa-te dessas merdas... -disse-me ele, antes de sair da casa-de-banho.
Nesse momento, os dois vimos a luz do mo meu quarto acesa (em Massama, o meu quarto fica mesmo em frente a casa-de-banho), e a nossa mãe sentada a borda a minha cama, com uma boneca de pano na mão. A mobília estava disposta como quando eu era pequena, e não como esta agora.
Os dois fomos ter com a nossa mãe:
-Mãe, o que e que estas a fazer? - quis saber.
-A despir as bonecas.- retorquiu ela, como se me estivesse a acusar de não as ter despido eu mesma. Tinha uma caixa de plástico cheia de bonecas aos pés.
-Mas para que?
-Porque elas não podem ficar assim!- respondeu ela, irritada.
-Então?... -perguntou a minha avo, ao entrar de repente no quarto.
São me lembro de ficarmos todos ajoelhado ao redor da minha mãe, a tentar convence-la a não despir as bonecas.
Desta vez, sonhei que estava em minha casa, em Massama, e que tinha havido uma infestação.
Os estores estavam todos corridos, e não me lembro se era dia ou noite la fora.
Estava com o meu irmão na casa-de-banho diante do meu quarto, e dizia-lhe:
-Tomas, se me acontecer alguma coisa, quero que saibas que te amo muito...
-Sim, sim, 'ta bem, deixa-te dessas merdas... -disse-me ele, antes de sair da casa-de-banho.
Nesse momento, os dois vimos a luz do mo meu quarto acesa (em Massama, o meu quarto fica mesmo em frente a casa-de-banho), e a nossa mãe sentada a borda a minha cama, com uma boneca de pano na mão. A mobília estava disposta como quando eu era pequena, e não como esta agora.
Os dois fomos ter com a nossa mãe:
-Mãe, o que e que estas a fazer? - quis saber.
-A despir as bonecas.- retorquiu ela, como se me estivesse a acusar de não as ter despido eu mesma. Tinha uma caixa de plástico cheia de bonecas aos pés.
-Mas para que?
-Porque elas não podem ficar assim!- respondeu ela, irritada.
-Então?... -perguntou a minha avo, ao entrar de repente no quarto.
São me lembro de ficarmos todos ajoelhado ao redor da minha mãe, a tentar convence-la a não despir as bonecas.
O Pai
Tambem esta noite, sonhei com o meu pai.
Nao o vejo ha mais ou menos quatro anos, e mal me lembro da cara dele: so me consigo recordar de uma fotografia sua que me ofereceu pouco antes de se ir embora, dizendo que como nao gostava dela, eu podia ficar com ela.
Desde algum tempo para ca, quando tento pensar na cara do meu pai, por muito que me esforce, e sempre igual aquela fotografia: sempre a mesma expressão, como se o rosto tivesse sido congelado, sempre o mesmo olhar vago, o cabelo penteado para o mesmo lado e a barba feita, o colarinho da mesma camisola...
Tenho imensa curiosidade em saber como esta agora.
Ha uns dias, o meu irmao esteve com ele: para mim, foi muito estranho. Parecia que ele tinha estado com uma pessoa de quem sempre falamos mas que na realidade, nao existe, e com a qual nunca estariamos (como um personagem de um filme, ou assim...).
Ate tive alguma inveja do meu irmao.
Quando eu voltei a casa nesse dia, so queria ouvir uma descrição sua do aspecto do pai, apesar de os assuntos discutidos no tribunal serem muito mais importantes.
O Tomas revelou-me que o nosso pai era muito mais pequeno que ele (algo que eu ja sabia, uma vez que decorei a altura do meu pai muito antes de ele sair da casa, e sei que hoje medimos os dois 1,74cm, muito inferiores aos 1,80m e tal do meu irmao), tinha a voz muito mais fina que a dele (isto fez-me muita impressao, mas uma vez que nao me lembro da voz do meu pai nao consegui sequer imaginar como seria a sua voz fininha), e contou-me ainda que estava mais velho, e, ate, feio.
-Feio?! - exclamei, incredula. Lembro-me de ter achado o meu pai bonito toda a minha vida.
-Sim - insistiu o meu irmao. Contou-me que agora o pai tinha as bochechas descaídas e a cara mais quadrada, alguma barriguinha, e parecia atarracado.
-Parece que encolheu!- comentou.
-Queres dizer que esta a mirrar??
-Sim. Se calhar, ate esta mais baixo que tu. A serio, vais dar pela diferença quando o voltares a ver.
Bem tentei, mas nao o consegui imaginar assim: so o conseguia ver como naquela maldita fotografia.
Contaram-me ainda que o meu pai nao reconheceu o meu irmao e nao saberia quem ele era se este nao se tivesse aproximado dele, e tambem sei que nao perguntou por mim.
Mas esta noite sonhei com o meu pai.
Por um motivo qualquer, a minha mae levava-me ao restaurante chines perto da nossa casa em Massama (o que e absurdo, porque ela se fartou de comida chinesa depois de eu a forçar a ela e ao resto da familia a ir la constantemente).
Eu estava felicissima, a falar com ela e a rir (adoooro comida chinesa), ate, ao passar por uma parede de vidro pintada, me deparar com duas pessoas sentadas a uma mesa. Uma delas, sei que era o meu irmao, apesar de nao ter visto mais que a sua silhueta, uma forma muito pouco difusa. A outra, era o meu pai.
Estava tal e qual o Tomas o tinha descrito, com a exactidao que apenas os sonhos e a imaginaçao desgovernada sao capazes de conceber, mas, ainda assim, eu reconheci-o.
Parecia que o mundo tinha parado e so existiam os olhos dele, muito concentrados e fitos em mim.
Ja nao me lembro como era a cara dele... So sei que tinha as bochechas descaídas, de facto, e grandes papos cor-de-rosa debaixo dos olhos. O resto, nao consigo descrever.
Dei meia volta, meio atordoada, e senti uma terrivel vontade de ir a casa-de-banho.
Comecei a andar em direcçao a casa-de-banho, quando o meu pai se levantou num salto e gritou:
-Não vais embora!
-Vou só a casa-de-banho... -disse. Lembro-me de me sentir muito feliz por ele me querer impedir de ir embora. Ele queria estar comigo.
Lembro-me que ele se acalmou... E não sei como acabou o sonho.
Era naquele restaurante que ele, eu e o meu irmão nos encontrávamos todas as quartas-feiras, antes de ele ir embora. Iamos la tantas vezes que começaram a oferecer-me pulseiras.
Passados dois anos sem o ver, voltei a esse restaurante: tinha tido uma excelente nota num teste qualquer, e, geralmente, eu podia ir buscar sopa chinesa para o meu jantar quando isso acontecia.
Nem eu, nem o meu irmão, e muito menos a minha mãe, la tínhamos ido desde que os encontros com o meu pai tinham sido cancelados...
Ao reconhecer-me, o empregado riu e quase saltou de contentamento, enquanto tagarelava:
-Ilmaozinho, Ilmaozinho! - disse ele, assinalando com a mão a altura que o meu irmão tinha da ultima vez que o vira.
-Irmaozao! - respondei, com um sorriso, agitando a mão acima da minha cabeça, para que ele percebesse que agora o Tomas era bem maior que eu.
Ele riu, todo satisfeito, e logo a seguir perguntou:
-E o pai?
-Não o vejo há dois anos!- respondi, com toda a naturalidade.
O homem ficou aterrado, e durante uns instantes não se mexeu, limitou-se a olhar para mim, mudo, com uma expressão de horror na cara.
Nao o vejo ha mais ou menos quatro anos, e mal me lembro da cara dele: so me consigo recordar de uma fotografia sua que me ofereceu pouco antes de se ir embora, dizendo que como nao gostava dela, eu podia ficar com ela.
Desde algum tempo para ca, quando tento pensar na cara do meu pai, por muito que me esforce, e sempre igual aquela fotografia: sempre a mesma expressão, como se o rosto tivesse sido congelado, sempre o mesmo olhar vago, o cabelo penteado para o mesmo lado e a barba feita, o colarinho da mesma camisola...
Tenho imensa curiosidade em saber como esta agora.
Ha uns dias, o meu irmao esteve com ele: para mim, foi muito estranho. Parecia que ele tinha estado com uma pessoa de quem sempre falamos mas que na realidade, nao existe, e com a qual nunca estariamos (como um personagem de um filme, ou assim...).
Ate tive alguma inveja do meu irmao.
Quando eu voltei a casa nesse dia, so queria ouvir uma descrição sua do aspecto do pai, apesar de os assuntos discutidos no tribunal serem muito mais importantes.
O Tomas revelou-me que o nosso pai era muito mais pequeno que ele (algo que eu ja sabia, uma vez que decorei a altura do meu pai muito antes de ele sair da casa, e sei que hoje medimos os dois 1,74cm, muito inferiores aos 1,80m e tal do meu irmao), tinha a voz muito mais fina que a dele (isto fez-me muita impressao, mas uma vez que nao me lembro da voz do meu pai nao consegui sequer imaginar como seria a sua voz fininha), e contou-me ainda que estava mais velho, e, ate, feio.
-Feio?! - exclamei, incredula. Lembro-me de ter achado o meu pai bonito toda a minha vida.
-Sim - insistiu o meu irmao. Contou-me que agora o pai tinha as bochechas descaídas e a cara mais quadrada, alguma barriguinha, e parecia atarracado.
-Parece que encolheu!- comentou.
-Queres dizer que esta a mirrar??
-Sim. Se calhar, ate esta mais baixo que tu. A serio, vais dar pela diferença quando o voltares a ver.
Bem tentei, mas nao o consegui imaginar assim: so o conseguia ver como naquela maldita fotografia.
Contaram-me ainda que o meu pai nao reconheceu o meu irmao e nao saberia quem ele era se este nao se tivesse aproximado dele, e tambem sei que nao perguntou por mim.
Mas esta noite sonhei com o meu pai.
Por um motivo qualquer, a minha mae levava-me ao restaurante chines perto da nossa casa em Massama (o que e absurdo, porque ela se fartou de comida chinesa depois de eu a forçar a ela e ao resto da familia a ir la constantemente).
Eu estava felicissima, a falar com ela e a rir (adoooro comida chinesa), ate, ao passar por uma parede de vidro pintada, me deparar com duas pessoas sentadas a uma mesa. Uma delas, sei que era o meu irmao, apesar de nao ter visto mais que a sua silhueta, uma forma muito pouco difusa. A outra, era o meu pai.
Estava tal e qual o Tomas o tinha descrito, com a exactidao que apenas os sonhos e a imaginaçao desgovernada sao capazes de conceber, mas, ainda assim, eu reconheci-o.
Parecia que o mundo tinha parado e so existiam os olhos dele, muito concentrados e fitos em mim.
Ja nao me lembro como era a cara dele... So sei que tinha as bochechas descaídas, de facto, e grandes papos cor-de-rosa debaixo dos olhos. O resto, nao consigo descrever.
Dei meia volta, meio atordoada, e senti uma terrivel vontade de ir a casa-de-banho.
Comecei a andar em direcçao a casa-de-banho, quando o meu pai se levantou num salto e gritou:
-Não vais embora!
-Vou só a casa-de-banho... -disse. Lembro-me de me sentir muito feliz por ele me querer impedir de ir embora. Ele queria estar comigo.
Lembro-me que ele se acalmou... E não sei como acabou o sonho.
Era naquele restaurante que ele, eu e o meu irmão nos encontrávamos todas as quartas-feiras, antes de ele ir embora. Iamos la tantas vezes que começaram a oferecer-me pulseiras.
Passados dois anos sem o ver, voltei a esse restaurante: tinha tido uma excelente nota num teste qualquer, e, geralmente, eu podia ir buscar sopa chinesa para o meu jantar quando isso acontecia.
Nem eu, nem o meu irmão, e muito menos a minha mãe, la tínhamos ido desde que os encontros com o meu pai tinham sido cancelados...
Ao reconhecer-me, o empregado riu e quase saltou de contentamento, enquanto tagarelava:
-Ilmaozinho, Ilmaozinho! - disse ele, assinalando com a mão a altura que o meu irmão tinha da ultima vez que o vira.
-Irmaozao! - respondei, com um sorriso, agitando a mão acima da minha cabeça, para que ele percebesse que agora o Tomas era bem maior que eu.
Ele riu, todo satisfeito, e logo a seguir perguntou:
-E o pai?
-Não o vejo há dois anos!- respondi, com toda a naturalidade.
O homem ficou aterrado, e durante uns instantes não se mexeu, limitou-se a olhar para mim, mudo, com uma expressão de horror na cara.
Ele só queria ficar no meu quarto...
Ha já muito tempo que não escrevo nada aqui (tenho estado muito ocupada), e infelizmente já me esqueci de muitos dos sonhos que tenho tido.
Esta noite porem, tive um sonho que não posso adiar.
Um pesadelo, alias.
Sonhei que estava a dormir no meu quarto, e que ao acordar me deparava com um grande e gordo homem negro sentado aos pés da minha cama.
Ao lado da minha cama, no chão, estava uma gambiarra com pequeninas e coloridas lanternas chinesas que realmente tenho, e que, de facto, estava ligada naquela noite, projectando uma luz avermelhada no meu quarto.
Tudo estava tal e qual a realidade.
Excepto o homem, que olhava para mim e sorria. Parecia louco.
Pedi-lhe para sair do meu quarto, mas ele limitou-se a rir (e penso que também cantarolou qualquer coisa) e não se mexeu.
Gritei pelo meu irmão que, muito, mas mesmo muito chateado por eu o ter acordado, veio ate ao meu quarto (o quarto dele e mesmo ao lado do meu) e puxou e empurrou o homem la para fora. Logo a seguir, deitou-se, decidido a não se levantar novamente ate de manha.
Entretanto, eu saltei da cama e, entreabrindo a porta, tirei a chave do lado de fora e tentei trancar a porta a partir de dentro.
Quando tinha acabado de o fazer, vi as pontas de um gancho de cabelo aparecerem na fechadura e empurrarem a chave para fora, ao mesmo tempo que a porta se abria:
-Não! - gritei.
Esforcei-me por voltar a fechar a porta, empurrei-a e atirei-me contra ela, mas o homem era demasiado forte... Também gritei pelo meu irmão, mas ele não apareceu.
Não me lembro como terminou o sonho. Sei no entanto que o homem não me queria fazer mal nenhum, só queria estar no meu quarto, sentado aos pés da minha cama. Eu e que não o queria la... era perturbador.
Esta noite porem, tive um sonho que não posso adiar.
Um pesadelo, alias.
Sonhei que estava a dormir no meu quarto, e que ao acordar me deparava com um grande e gordo homem negro sentado aos pés da minha cama.
Ao lado da minha cama, no chão, estava uma gambiarra com pequeninas e coloridas lanternas chinesas que realmente tenho, e que, de facto, estava ligada naquela noite, projectando uma luz avermelhada no meu quarto.
Tudo estava tal e qual a realidade.
Excepto o homem, que olhava para mim e sorria. Parecia louco.
Pedi-lhe para sair do meu quarto, mas ele limitou-se a rir (e penso que também cantarolou qualquer coisa) e não se mexeu.
Gritei pelo meu irmão que, muito, mas mesmo muito chateado por eu o ter acordado, veio ate ao meu quarto (o quarto dele e mesmo ao lado do meu) e puxou e empurrou o homem la para fora. Logo a seguir, deitou-se, decidido a não se levantar novamente ate de manha.
Entretanto, eu saltei da cama e, entreabrindo a porta, tirei a chave do lado de fora e tentei trancar a porta a partir de dentro.
Quando tinha acabado de o fazer, vi as pontas de um gancho de cabelo aparecerem na fechadura e empurrarem a chave para fora, ao mesmo tempo que a porta se abria:
-Não! - gritei.
Esforcei-me por voltar a fechar a porta, empurrei-a e atirei-me contra ela, mas o homem era demasiado forte... Também gritei pelo meu irmão, mas ele não apareceu.
Não me lembro como terminou o sonho. Sei no entanto que o homem não me queria fazer mal nenhum, só queria estar no meu quarto, sentado aos pés da minha cama. Eu e que não o queria la... era perturbador.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Sonhos depois de uma separaçao
Agora que já não me dói tanto o orgulho, posso aqui escrever alguns sonhos que tive pouco depois de me separar do meu ex-namorado.
Na altura, tinha esperança de poder pelo menos sonhar que continuávamos juntos, para que durante a noite a dor não fosse tão grande quanto de dia.
Porem, o meu subconsciente parecia bastante consciente do nosso afastamento.
Sonhei que nos reencontrávamos numa pequena sala, muito estreita, em forma de "L", com as paredes pintadas de azul escuro.
Eu estava num extremo, e não conseguia ver alem da esquina. A minha frente estava uma mesa de madeira escura e antiga, e logo a seguir estava ele.
Ao lado dele, Havia um grande relógio de pêndulo.
Eu estava fora de mim por voltar a vê-lo, mas ele parecia indiferente... não: parecia que estava aborrecido por me voltar a ver, como se eu fosse um grande inconveniente.
Contou-me que já não queria saber de mim, que não sentia nada por mim... Revelou-me que, uma noite apenas depois de termos acabado o namoro, traíra-me.
Disse-o assim, utilizando aquela mesma palavra: "trai-te".
Repetiu que arranjara outra, que gostara, e mandou-me embora.
Senti o coração esmagado, como se estivesse acordada e ele me tivesse realmente dito aquilo.
Corri para ele, enfurecida, e empurrei-o sem pensar contra o relógio de pêndulo.
Bateu com a cabeça no vidro e caiu, desmaiado ou morto, entre a mesa e o relógio (que permaneceu de pé e a trabalhar), rodeado de cacos.
-Liro! - solucei, enquanto me ajoelhava ao lado dele e o puxava para o meu colo. Desejei com todas as minhas forças que o tempo voltasse atrás, como nos filmes ou nos jogos, e eu pudesse remediar o que fizera.
Tirei-lhe os pedaços de vidro da carne, puxando com especial cuidado um que ficara profundamente enterrado na cabeça, no meio de todo aquele longo cabelo castanho.
Limpei-lhe o sangue com as mãos, não me lembro se conseguia sequer chorar, de tão triste e assustada que estava:
-Desculpa, desculpa! -gemi, ao mesmo tempo que o sacudia devagarinho, como se estivesse a tentar reanima-lo.
De repente, ouvi passos e o pai dele apareceu ali, ao meu lado, a olhar para o que eu fizera ao seu filho.
Uma outra vez tive um sonho particularmente ridículo. O mundo ia acabar, mas só em Portugal (veja-se bem a nossa sorte...).
Neste distorcido Universo, as escolas funcionavam como orfanatos que se responsabilizavam a cem por cento dos alunos que lhes eram entregues. Como eu sabia que o Liro faltava habitualmente as aulas, tinha a certeza que ele não estaria presente quando os orfanatos se preparassem para nos evacuar para um local seguro: tinha de ir busca-lo.
Lembro-me vagamente de passar pelas janelas do orfanato, quando me ia embora, e ver os miúdos da minha escola numa grande batalha com os de outra escola. Estavam todos empoleirados nas janelas dos edifícios, que estavam frente a frente (e flutuavam em cima de plataformas,como se fossem barcos, ou jangadas), e atiravam tudo e mais alguma coisa uns aos outros.
Fui encontrar o Liro naquilo que parecia um insuflável gigante de cores vivas perto da baía de Tróia. Sera que o encontrei a ele?... Algo me diz que quem eu encontrei foi um mago que me deu um recado dele: tinha encontrado uma miúda com umas pernas fantásticas, e já não queria saber de mim... Preveniu-me também que tínhamos de tratar do divorcio: descobri então que, apesar de eu e o Liro não sermos casados, no sonho éramos noivos, e aparentemente precisávamos de um divorcio para deixarmos de o ser.
Muito triste, afastei-me... E pouco depois encontrei o meu amigo David, a bordo de um pequeno mas luxuoso barco, que me convidou para um passeio para me animar. Saltei para bordo e depois de um bom bocado no rio Sado fomos ate a escola D.Pedro IV, em Queluz, que frequentei do 5º ao 9º ano.
La, dirigimos-nos a papelaria (onde alem de material costumava comprar as senhas de almoço, e onde estava uma continua particularmente feia e mal humorada, de que ninguém gostava: a Dª Amélia, que tinha cabelo preto curto e ondulado, e óculos tão espessos que faziam parecer enormes os seus olhos ameaçadores).
La, compramos um gelado para cada um, e lembro-me de estar tão feliz que nem parecia que eu e o Liro nos tínhamos separado.
Outra noite sonhei que ele me revelava que tinha um jipe e namorava com um amigo seu que eu tinha conhecido. Foi tão perturbador...
Outras vezes ainda sonhei que o surpreendia com uma colega nossa (sempre a mesma)... e habitualmente eu dava a rapariga uma grande tareia.
Certa vez, atirei-a de uma janela, mas caraças, ela não morreu!
Depois sentia-me muito mal comigo mesma: não era preciso fazer nada daquilo, certamente ter-me-ia sentido melhor dizendo-lhe apenas o que tinha para lhe dizer.
Houve noites, também, em que me vi com outros homens, num misto de prazer e culpa, em que via outros mas pensava nele.
Na altura, tinha esperança de poder pelo menos sonhar que continuávamos juntos, para que durante a noite a dor não fosse tão grande quanto de dia.
Porem, o meu subconsciente parecia bastante consciente do nosso afastamento.
Sonhei que nos reencontrávamos numa pequena sala, muito estreita, em forma de "L", com as paredes pintadas de azul escuro.
Eu estava num extremo, e não conseguia ver alem da esquina. A minha frente estava uma mesa de madeira escura e antiga, e logo a seguir estava ele.
Ao lado dele, Havia um grande relógio de pêndulo.
Eu estava fora de mim por voltar a vê-lo, mas ele parecia indiferente... não: parecia que estava aborrecido por me voltar a ver, como se eu fosse um grande inconveniente.
Contou-me que já não queria saber de mim, que não sentia nada por mim... Revelou-me que, uma noite apenas depois de termos acabado o namoro, traíra-me.
Disse-o assim, utilizando aquela mesma palavra: "trai-te".
Repetiu que arranjara outra, que gostara, e mandou-me embora.
Senti o coração esmagado, como se estivesse acordada e ele me tivesse realmente dito aquilo.
Corri para ele, enfurecida, e empurrei-o sem pensar contra o relógio de pêndulo.
Bateu com a cabeça no vidro e caiu, desmaiado ou morto, entre a mesa e o relógio (que permaneceu de pé e a trabalhar), rodeado de cacos.
-Liro! - solucei, enquanto me ajoelhava ao lado dele e o puxava para o meu colo. Desejei com todas as minhas forças que o tempo voltasse atrás, como nos filmes ou nos jogos, e eu pudesse remediar o que fizera.
Tirei-lhe os pedaços de vidro da carne, puxando com especial cuidado um que ficara profundamente enterrado na cabeça, no meio de todo aquele longo cabelo castanho.
Limpei-lhe o sangue com as mãos, não me lembro se conseguia sequer chorar, de tão triste e assustada que estava:
-Desculpa, desculpa! -gemi, ao mesmo tempo que o sacudia devagarinho, como se estivesse a tentar reanima-lo.
De repente, ouvi passos e o pai dele apareceu ali, ao meu lado, a olhar para o que eu fizera ao seu filho.
Uma outra vez tive um sonho particularmente ridículo. O mundo ia acabar, mas só em Portugal (veja-se bem a nossa sorte...).
Neste distorcido Universo, as escolas funcionavam como orfanatos que se responsabilizavam a cem por cento dos alunos que lhes eram entregues. Como eu sabia que o Liro faltava habitualmente as aulas, tinha a certeza que ele não estaria presente quando os orfanatos se preparassem para nos evacuar para um local seguro: tinha de ir busca-lo.
Lembro-me vagamente de passar pelas janelas do orfanato, quando me ia embora, e ver os miúdos da minha escola numa grande batalha com os de outra escola. Estavam todos empoleirados nas janelas dos edifícios, que estavam frente a frente (e flutuavam em cima de plataformas,como se fossem barcos, ou jangadas), e atiravam tudo e mais alguma coisa uns aos outros.
Fui encontrar o Liro naquilo que parecia um insuflável gigante de cores vivas perto da baía de Tróia. Sera que o encontrei a ele?... Algo me diz que quem eu encontrei foi um mago que me deu um recado dele: tinha encontrado uma miúda com umas pernas fantásticas, e já não queria saber de mim... Preveniu-me também que tínhamos de tratar do divorcio: descobri então que, apesar de eu e o Liro não sermos casados, no sonho éramos noivos, e aparentemente precisávamos de um divorcio para deixarmos de o ser.
Muito triste, afastei-me... E pouco depois encontrei o meu amigo David, a bordo de um pequeno mas luxuoso barco, que me convidou para um passeio para me animar. Saltei para bordo e depois de um bom bocado no rio Sado fomos ate a escola D.Pedro IV, em Queluz, que frequentei do 5º ao 9º ano.
La, dirigimos-nos a papelaria (onde alem de material costumava comprar as senhas de almoço, e onde estava uma continua particularmente feia e mal humorada, de que ninguém gostava: a Dª Amélia, que tinha cabelo preto curto e ondulado, e óculos tão espessos que faziam parecer enormes os seus olhos ameaçadores).
La, compramos um gelado para cada um, e lembro-me de estar tão feliz que nem parecia que eu e o Liro nos tínhamos separado.
Outra noite sonhei que ele me revelava que tinha um jipe e namorava com um amigo seu que eu tinha conhecido. Foi tão perturbador...
Outras vezes ainda sonhei que o surpreendia com uma colega nossa (sempre a mesma)... e habitualmente eu dava a rapariga uma grande tareia.
Certa vez, atirei-a de uma janela, mas caraças, ela não morreu!
Depois sentia-me muito mal comigo mesma: não era preciso fazer nada daquilo, certamente ter-me-ia sentido melhor dizendo-lhe apenas o que tinha para lhe dizer.
Houve noites, também, em que me vi com outros homens, num misto de prazer e culpa, em que via outros mas pensava nele.
Sonhos em Atraso: Uma Epidemia de Zombies, A Animação do Exame de Condução e Moçambique
Não tenho tido muito tempo para escrever, e por isso este diário dos meus sonhos encontra-se um pouco desactualizado... Agora que tenho um pouco de tempo livre, vou aproveitar para o por em dia...
Não me recordo de quando sonhei este sonho... Havia uma epidemia de zombies, não sei se a nível de uma cidade, de um pais, ou se do mundo inteiro: sei que eu e os meus colegas constávamos entre os sobreviventes e todos os dias tínhamos de lutar para não nos juntarmos aos monstros.
Penso que para escapar a um grupo de monstros, tivemos de refugiar-nos num grande edifício abandonado, de tecto alto e salas amplas, com as portas e algumas das janelas escondidas atrás de tábuas velhas. A tinta das paredes estava gasta, e muitas vezes via-se apenas o áspero cimento.
Lembro-me de estar sozinha numa divisão, a olhar desconfiada a minha volta, antes de chamar os meus colegas: podíamos esconder-nos ali.
Ao explorar a casa, acabamos por descobrir uma serie de quartos com paredes claras em tons de pastel, e muito iluminados: a luz que entrava pelas janelas era tão brilhante que, ao olhar-mos para o exterior, via-mos apenas branco.
Havia em cada quarto varias camas, e espalhada sobre os lençóis e pelo o chão, a mais variada tralha: tudo objectos pessoais nossos.
Todos vasculhamos os quartos a procura dos nossos pertences. Eu encontrei o meu colar com um chifre de gazela (que a minha avo me deu a pouco tempo), um outro colar com um dente de javali (que esta estragado) e um terceiro objecto, que não considerei muito importante, visto que não me lembro dele. Analisei os dois colares, a pensar como me poderiam ser úteis para combater os monstros. Conclui que o chifre de gazela era demasiado curto para ferir com eficácia, alem de que muito facilmente se descolaria do pendente quando o tentasse arrancar da carne de algum zombie, pelo que limitei-me a po-lo ao pescoço, decidida a usa-lo como ultimo recurso, somente. O dente de javali, esse, pareceu-me indispensável: enrolei o fio do colar partido ao redor do dente e enfiei-o no bolso, pronto a puxa-lo para fora e usa-lo como se fosse um punhal.
Pouco depois, vários monstros conseguiram entrar no nossos esconderijo.
Eu e os meus colegas lutamos com bravura: ao ver um amigo em perigo, corri na sua direcção, esquivando-me de amigos e inimigos. O zombie tinha o meu amigo preso nos braços, e um outro zombie, ao lado dele, ria-se do sofrimento da presa. Estavam mesmo a estrada de um quarto.
-Olha a Carolina! - disse um deles como se gozasse comigo, enquanto o outro ria.
Mas eu ignorei-os, e, lembrando-me do que a minha mãe me ensinara, lancei-me sobre aquele que tinha preso o meu amigo e espetei o dente no seu olho esquerdo (sendo que estávamos frente a frente).
-Oh, não, tu não vais fazer isso! - duvidaram eles, antes de eu atacar.
Eu própria duvidei, fechei os olhos, com medo e enojada, e assim desferi o golpe, sentindo a minha arma enfiar-se na carne macia.
Quando tornei a abrir os olhos, usei o dente como se fosse um gancho e puxei o olhos para fora. Vi a carne vermelha rasgada sair lentamente da orbita, sem que caísse, curiosamente, uma única gota de sangue, e sem que o dente ficasse sujo. Tive esperanças de ter perfurado o cérebro.
-Ela gosta de deixar a mar, como se fosse uma assinatura! -disse o monstro que estivera assistir.
Ataquei-o a ele a seguir.
Eu e os meus colegas continuamos a lutar, eu a arrancar olhos como se arrancasse rolhas a garrafas de vinhos, ate um monstro me prender firmemente nos seus braços.
Desesperada, sabia que devia atacar os olhos, já que era a única maneira de os deter, mas apenas consegui apunhalar varias vezes o peito, cheia de medo de perder a minha arma, presa entre duas costelas.
O zombie ignorou os meus ataques, alias, riu-se mim.
Agarrou a minha cabeça como se a quisesse torcer sobre o pescoço, e fez-me cair sobre uma cama assim.
Com o tronco deitado no colchão e as pernas tombadas para fora da cama, a sentir as pernas do zombie entre as minhas enquanto ele se aproximava de mim para ter a certeza que não escapava nem me defendia enquanto me matava, tive tanto medo que me apeteceu gritar por socorro, mas não fui capaz.
De onde eu estava, conseguia ver a porta do quarto.
Foi então que apareceu Leonor, e segurou a cabeça do monstro da mesma maneira que ele segurara a minha. Não sei porque, mas eles ficavam completamente indefesos quando os seguravam assim.
Ela ia mata-lo. Eu sabia. Ia salvar-me!
Mas Leonor demorou tanto tempo a segredar palavras irónicas e ameaçadoras aos ouvidos do zombie que eu me irritei com ela, e me apeteceu gritar-lhe que eu própria a mataria se ela não se despachasse!
Mas não consegui.
Quando ela finalmente o matou (nao sei como foi, se lhe partiu o pescoço ou se fez outra coisa qualquer) levantei-me com um salto e afastei-me enquanto murmurava:
-Estava a ver que nunca mais!
Acho muito interessante o facto de os zombies serem pessoas perfeitamente normais: aqueles de que melhor me recordo são os dois que aterrorizavam o meu amigo: eram altos magros, e tinham o cabelo curto espetado, preto. Ambos eram pálidos, mas nada fora do normal.
Esta terça-feira foi um dia importante para mim: tive o meu exame de condução, e pouco depois teria de mostrar os meus trabalhos ao professor de animação Zepe, na faculdade.
Estava tão nervosa que dormi muito mal, e nem mesmo durante os meus sonhos pude escapar ao que me esperava no dia seguinte: sonhei que tinha de fazer, em papelinhos de 6x10 cm, em tinta da china preta, uma animação de um carro a circular na via, e de mim própria a conduzi-lo.
Zepe e o temível examinador observavam com ar austero o meu trabalho, enquanto decidiam se eu devia ou não passar.
Não me lembro do final do sonho, mas no dia seguinte correu tudo muito bem!
Uma noite destas sonhei com um curioso mapa: focava-se em Moçambique, apesar de eu ter a noção que era muito mais extenso e que se eu quisesse pudera viajar pelo mundo todo, como se se tratasse do Google Earth.
Neste meu sonho, a ilha de Madagáscar era o arquipélago da Madeira, e tudo estava disposto de uma maneira tão estranha e retorcida, que, um pouco a nordeste dessa Madeira, ficavam Portugal, e toda a restante Europa.
Ora, ou a Europa se encontrava no lugar da Ásia, ou Moçambique estava separado de África, e flutuava como uma ilha no Oceano, junto dos nossos arquipélagos.
Porque fui eu que sonhei este sonho, tenho o privilegio de saber que se tratava da segunda hipótese, sem precisar de mais justificações.
O mapa aparecia como pretexto para me explicarem que a minha colega Leonor morava em Moçambique, e podia vir todos os dias estudar a Faculdade de Belas Artes de Lisboa, que ficava na Madeira!
Enquanto me explicavam isto, pequenos traços vermelhos apareciam desenhados no mar, a ilustrar a rota que ela seguia todos os dias.
Fiquei felicíssima: podia ir viver para Moçambique, finalmente!, porque poderia continuar a estudar em Portugal, todos os dias.
Lembro-me vagamente de estar no costa verdejante, a olhar para uma ilha redonda pouco distante, que era Moçambique (o que e curioso, e que quando eu vira o mapa Moçambique não tinha aquele formato, nem o formato que realmente tem: era quase rectangular).
Acho que havia a minha esquerda uma outra grande ilha, muito alta, e toda rodeada de um espesso nevoeiro: podia ser uma enorme montanha que emergia do mar e subia ate ao céu, ou um gigantesco pedaço de terra flutuante (não sei porque não conseguia ver a base) como as montanhas Aleluia, do filme Avatar.
Mas não lhe prestei atenção: só tinha olhos para Moçambique, e para o oceano maravilhoso que se estendia a seguir, sem que se visse mais nada, alias, como se não existisse mais nada alem dele...
Conseguia ver a curvatura da terra, e já não sei se o céu estava azul, ou se dourado, como um por-do-sol cinematográfico.
Não me recordo de quando sonhei este sonho... Havia uma epidemia de zombies, não sei se a nível de uma cidade, de um pais, ou se do mundo inteiro: sei que eu e os meus colegas constávamos entre os sobreviventes e todos os dias tínhamos de lutar para não nos juntarmos aos monstros.
Penso que para escapar a um grupo de monstros, tivemos de refugiar-nos num grande edifício abandonado, de tecto alto e salas amplas, com as portas e algumas das janelas escondidas atrás de tábuas velhas. A tinta das paredes estava gasta, e muitas vezes via-se apenas o áspero cimento.
Lembro-me de estar sozinha numa divisão, a olhar desconfiada a minha volta, antes de chamar os meus colegas: podíamos esconder-nos ali.
Ao explorar a casa, acabamos por descobrir uma serie de quartos com paredes claras em tons de pastel, e muito iluminados: a luz que entrava pelas janelas era tão brilhante que, ao olhar-mos para o exterior, via-mos apenas branco.
Havia em cada quarto varias camas, e espalhada sobre os lençóis e pelo o chão, a mais variada tralha: tudo objectos pessoais nossos.
Todos vasculhamos os quartos a procura dos nossos pertences. Eu encontrei o meu colar com um chifre de gazela (que a minha avo me deu a pouco tempo), um outro colar com um dente de javali (que esta estragado) e um terceiro objecto, que não considerei muito importante, visto que não me lembro dele. Analisei os dois colares, a pensar como me poderiam ser úteis para combater os monstros. Conclui que o chifre de gazela era demasiado curto para ferir com eficácia, alem de que muito facilmente se descolaria do pendente quando o tentasse arrancar da carne de algum zombie, pelo que limitei-me a po-lo ao pescoço, decidida a usa-lo como ultimo recurso, somente. O dente de javali, esse, pareceu-me indispensável: enrolei o fio do colar partido ao redor do dente e enfiei-o no bolso, pronto a puxa-lo para fora e usa-lo como se fosse um punhal.
Pouco depois, vários monstros conseguiram entrar no nossos esconderijo.
Eu e os meus colegas lutamos com bravura: ao ver um amigo em perigo, corri na sua direcção, esquivando-me de amigos e inimigos. O zombie tinha o meu amigo preso nos braços, e um outro zombie, ao lado dele, ria-se do sofrimento da presa. Estavam mesmo a estrada de um quarto.
-Olha a Carolina! - disse um deles como se gozasse comigo, enquanto o outro ria.
Mas eu ignorei-os, e, lembrando-me do que a minha mãe me ensinara, lancei-me sobre aquele que tinha preso o meu amigo e espetei o dente no seu olho esquerdo (sendo que estávamos frente a frente).
-Oh, não, tu não vais fazer isso! - duvidaram eles, antes de eu atacar.
Eu própria duvidei, fechei os olhos, com medo e enojada, e assim desferi o golpe, sentindo a minha arma enfiar-se na carne macia.
Quando tornei a abrir os olhos, usei o dente como se fosse um gancho e puxei o olhos para fora. Vi a carne vermelha rasgada sair lentamente da orbita, sem que caísse, curiosamente, uma única gota de sangue, e sem que o dente ficasse sujo. Tive esperanças de ter perfurado o cérebro.
-Ela gosta de deixar a mar, como se fosse uma assinatura! -disse o monstro que estivera assistir.
Ataquei-o a ele a seguir.
Eu e os meus colegas continuamos a lutar, eu a arrancar olhos como se arrancasse rolhas a garrafas de vinhos, ate um monstro me prender firmemente nos seus braços.
Desesperada, sabia que devia atacar os olhos, já que era a única maneira de os deter, mas apenas consegui apunhalar varias vezes o peito, cheia de medo de perder a minha arma, presa entre duas costelas.
O zombie ignorou os meus ataques, alias, riu-se mim.
Agarrou a minha cabeça como se a quisesse torcer sobre o pescoço, e fez-me cair sobre uma cama assim.
Com o tronco deitado no colchão e as pernas tombadas para fora da cama, a sentir as pernas do zombie entre as minhas enquanto ele se aproximava de mim para ter a certeza que não escapava nem me defendia enquanto me matava, tive tanto medo que me apeteceu gritar por socorro, mas não fui capaz.
De onde eu estava, conseguia ver a porta do quarto.
Foi então que apareceu Leonor, e segurou a cabeça do monstro da mesma maneira que ele segurara a minha. Não sei porque, mas eles ficavam completamente indefesos quando os seguravam assim.
Ela ia mata-lo. Eu sabia. Ia salvar-me!
Mas Leonor demorou tanto tempo a segredar palavras irónicas e ameaçadoras aos ouvidos do zombie que eu me irritei com ela, e me apeteceu gritar-lhe que eu própria a mataria se ela não se despachasse!
Mas não consegui.
Quando ela finalmente o matou (nao sei como foi, se lhe partiu o pescoço ou se fez outra coisa qualquer) levantei-me com um salto e afastei-me enquanto murmurava:
-Estava a ver que nunca mais!
Acho muito interessante o facto de os zombies serem pessoas perfeitamente normais: aqueles de que melhor me recordo são os dois que aterrorizavam o meu amigo: eram altos magros, e tinham o cabelo curto espetado, preto. Ambos eram pálidos, mas nada fora do normal.
Esta terça-feira foi um dia importante para mim: tive o meu exame de condução, e pouco depois teria de mostrar os meus trabalhos ao professor de animação Zepe, na faculdade.
Estava tão nervosa que dormi muito mal, e nem mesmo durante os meus sonhos pude escapar ao que me esperava no dia seguinte: sonhei que tinha de fazer, em papelinhos de 6x10 cm, em tinta da china preta, uma animação de um carro a circular na via, e de mim própria a conduzi-lo.
Zepe e o temível examinador observavam com ar austero o meu trabalho, enquanto decidiam se eu devia ou não passar.
Não me lembro do final do sonho, mas no dia seguinte correu tudo muito bem!
Uma noite destas sonhei com um curioso mapa: focava-se em Moçambique, apesar de eu ter a noção que era muito mais extenso e que se eu quisesse pudera viajar pelo mundo todo, como se se tratasse do Google Earth.
Neste meu sonho, a ilha de Madagáscar era o arquipélago da Madeira, e tudo estava disposto de uma maneira tão estranha e retorcida, que, um pouco a nordeste dessa Madeira, ficavam Portugal, e toda a restante Europa.
Ora, ou a Europa se encontrava no lugar da Ásia, ou Moçambique estava separado de África, e flutuava como uma ilha no Oceano, junto dos nossos arquipélagos.
Porque fui eu que sonhei este sonho, tenho o privilegio de saber que se tratava da segunda hipótese, sem precisar de mais justificações.
O mapa aparecia como pretexto para me explicarem que a minha colega Leonor morava em Moçambique, e podia vir todos os dias estudar a Faculdade de Belas Artes de Lisboa, que ficava na Madeira!
Enquanto me explicavam isto, pequenos traços vermelhos apareciam desenhados no mar, a ilustrar a rota que ela seguia todos os dias.
Fiquei felicíssima: podia ir viver para Moçambique, finalmente!, porque poderia continuar a estudar em Portugal, todos os dias.
Lembro-me vagamente de estar no costa verdejante, a olhar para uma ilha redonda pouco distante, que era Moçambique (o que e curioso, e que quando eu vira o mapa Moçambique não tinha aquele formato, nem o formato que realmente tem: era quase rectangular).
Acho que havia a minha esquerda uma outra grande ilha, muito alta, e toda rodeada de um espesso nevoeiro: podia ser uma enorme montanha que emergia do mar e subia ate ao céu, ou um gigantesco pedaço de terra flutuante (não sei porque não conseguia ver a base) como as montanhas Aleluia, do filme Avatar.
Mas não lhe prestei atenção: só tinha olhos para Moçambique, e para o oceano maravilhoso que se estendia a seguir, sem que se visse mais nada, alias, como se não existisse mais nada alem dele...
Conseguia ver a curvatura da terra, e já não sei se o céu estava azul, ou se dourado, como um por-do-sol cinematográfico.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Qual D. Sebastião...
Ha uns anos sonhei que toda a minha família se encontrava, por acaso, em frente ao Vasco-da-Gama, junto aquela escultura vermelha muito esquisita.
Começamos todos a rir e a abraçar-nos uns aos outros, ate que, a uns passos de distancia, vi o Tio Grande, acenei-lhe e chamei-o, para que se juntasse a nos, mas, a sorrir, ele fez-me sinal para ficar calada, e afastou-se, em direcção ao nevoeiro, sem que mais ninguém desse por ele.
Começamos todos a rir e a abraçar-nos uns aos outros, ate que, a uns passos de distancia, vi o Tio Grande, acenei-lhe e chamei-o, para que se juntasse a nos, mas, a sorrir, ele fez-me sinal para ficar calada, e afastou-se, em direcção ao nevoeiro, sem que mais ninguém desse por ele.
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