Às vezes, irrita-me profundamente não me lembrar dos meus sonhos, porque me recordo, ou contam-me, algumas coisas que digo e faço durante o sono.
À anos, quando era uma criança, passei uma noite em casa dos meus avós, com a minha mãe. Sei que estava que estava a sonhar com alguma coisa relacionada com "Pokemons", e que a meio do sonho disse: "Temos de salvá-lo!".
Pouco depois, também em casa dos meus avós, numa noite em que tive que dormir com a minha prima Marta, dei-lhe uma grande tareia, enquanto gritava para uma outra prima nossa, com quem estava a sonhar: "Vais pagá-las! Vais pagá-las, Ana Rute!! Larga-me, Tomás, larga-me!! Vais pagá-las!!!".
Segundo me contaram, a minha avó veio ao quarto acordar-me e perguntar-me se queria um copo de água. Ofegante, respondi que sim.
Bebi, devolvi o copo à minha avó, e quando tornei a adormecer, o sonho continuou.
Na manhã seguinte, Marta perguntou-me:
-Ó Carolina, com que é que sonháste hoje?
-Hoje? Hoje nem sequer sonhei...
Uma outra vez, em que os meus avós é que estavam em minha casa, a minha avó ficou surpreendida ao ver-me a atravessar o corredor, de olhos fechados e a dormir profundamente, e meter-me na casa-de-banho às escuras, sentar-me na sanita e desatar a rir às gargalhadas...
Quando já era mais velhas, e a Marta veio passar uma noite a minha casa e mais uma vez tivémos de dormir juntas, ela acordou a meio da noite comigo a cantar os "Jardins Proibidos". Segundo ela, eu estava muito feliz, a rir-me muito, como se estivesse num karaoke.
Mais recentemente, aliás, há alguns dias, sonhei que estava a na galhofa com um grupo de pessoas, e que a determinada altura todos cuspíamos para qualquer coisa... Acordei nesse mesmo instante, com a cara toda molhada de cuspo.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Mendigos, Música e Violinos
Um dia depois do pesadelo que aqui publiquei antes, sonhei que estava em casa dos meus avós, com o meu irmão no quarto de visitas, debruçados na janela a olhar lá para baixo.
No terraço, encostado ao muro, estava um homem de aspecto miserável, mas que, com toda a dignidade do mundo, tocava violino. Era uma música lindíssima.
O meu irmão, deliciado, quis juntar-se-lhe: correu a pegar no seu violino, e foi ter com ele ao terraço. Pôs-se de pé sobre o muro e tocaram juntos.
Era tão bonita, a música, que eu até tinha pena de não saber tocar um instrumento qualquer, para me juntar a eles e fazer parte daquela melodia maravilhosa.
Procurei pela casa toda algo que eu pudesse tocar. Acabei por descobrir algo que até se parecia com um violino... Meio desfeito, é certo, e era diferente a maneira de usá-lo, mas, ainda assim, um violino: não tinha vara, e para o tocar era preciso friccionar com os dedos as cordas, prendendo-as com teclas montadas na cabeça do violino para tocar diferentes notas.
Lembro-me vagamente de um grande algazarra, de uma espécie de almoço, de ouvir a musica do meu irmão e do seu companheiro e de estar ansiosa por lhes mostrar o meu achado.
No terraço, encostado ao muro, estava um homem de aspecto miserável, mas que, com toda a dignidade do mundo, tocava violino. Era uma música lindíssima.
O meu irmão, deliciado, quis juntar-se-lhe: correu a pegar no seu violino, e foi ter com ele ao terraço. Pôs-se de pé sobre o muro e tocaram juntos.
Era tão bonita, a música, que eu até tinha pena de não saber tocar um instrumento qualquer, para me juntar a eles e fazer parte daquela melodia maravilhosa.
Procurei pela casa toda algo que eu pudesse tocar. Acabei por descobrir algo que até se parecia com um violino... Meio desfeito, é certo, e era diferente a maneira de usá-lo, mas, ainda assim, um violino: não tinha vara, e para o tocar era preciso friccionar com os dedos as cordas, prendendo-as com teclas montadas na cabeça do violino para tocar diferentes notas.
Lembro-me vagamente de um grande algazarra, de uma espécie de almoço, de ouvir a musica do meu irmão e do seu companheiro e de estar ansiosa por lhes mostrar o meu achado.
'Tô? Olha, é o do costume... ajudas-me a esconder um corpo?
Nestas férias da Páscoa, sonhei certa vez que eu e o Liro tinhamos morto um homem. Nunca vi a nossa vítima, nem no sonho nem na vida, mas sei que era um homem baixo, gordo, meio careca e de pele rosada, que usava uma camisa enfiada por umas calças de pano adentro.
Devia ter sido uma pessoa muito má, porque eu e o Liro estávamos mesmo contentes por tê-lo morto. Mesmo muito, muito satisfeitos.
No Parque das Nações, atirámos o corpo ao Rio Tejo e afastámo-nos, a rir e a falar alegremente do que tínhamos feito, orgulhosos do crime que havíamos cometido.
Não muito longe, estavam alguns armazéns, onde entrámos. Encaminhámo-nos para uma cozinha apertada, de paredes altas com a tinta a estalar, cheia de electrodomésticos velhos, todos ferrugentos.
Num repente, zangámo-nos. Começámos a discutir não sei porquê, e, do nada, as luzes apagaram-se. Não se ouviu um som.
Quando voltei a ver, o Liro tinha desaparecido: a cozinha estava suja de sangue, havia alguma carne picada numa trituradora, e um braço cortado pouco acima do cotovelo no micro-ondas.
Horrorizada, percebi que o Liro estava morto. E, como não havia ninguém por perto, deduzi que fôra eu quem o matara.
-Calma... Calma... - murmurei, enquanto pensava no que devia fazer.
Saí a correr do armazém e fui ter com um grupo de amigos que passeava à beira do rio. Entre eles, distingui Sara. Fui ter com ela e contei-lhe o que acontecera, e, apesar de ser uma grande amiga do Liro, não ficou triste, ou zangada, nem sequer surpreendida.
Disse-me que me ia ajudar a esconder o corpo, e que ia ficar tudo bem.
Regressámos juntas aos armazéns, entrámos na cozinha e deparámo-nos com tudo limpo, sem sinais do cadáver.
Fiquei desesperada: alguém o tinha encontrado. Estava condenada, sem dúvida, não havia nada que pudesse fazer... E agora? Estava tristíssima por ter morto o meu amigo, e a culpa esmagava-me... Sabia que merecia ir presa. Porém, eu não o fizera por querer. Nem sequer me lembrava de nada, era como se tivesse perdido o controlo do meu corpo, e portanto não pudesse escolher matá-lo ou não! Além do mais, lá por eu ir presa, por perder não-sei-quantos anos da minha vida, ele não ia voltar a viver, pois não? Tinha de fugir.
Entretanto, a Sara não perdera a calma, e na sua voz ao mesmo tempo doce, preguiçosa e desinteressada, falava ao telemóvel:
-'Tô? Então, 'tás bom? Tudo bem? Sim, eu também... Olha, é o do costume... Ajudas-me a esconder um corpo?
Devia ter sido uma pessoa muito má, porque eu e o Liro estávamos mesmo contentes por tê-lo morto. Mesmo muito, muito satisfeitos.
No Parque das Nações, atirámos o corpo ao Rio Tejo e afastámo-nos, a rir e a falar alegremente do que tínhamos feito, orgulhosos do crime que havíamos cometido.
Não muito longe, estavam alguns armazéns, onde entrámos. Encaminhámo-nos para uma cozinha apertada, de paredes altas com a tinta a estalar, cheia de electrodomésticos velhos, todos ferrugentos.
Num repente, zangámo-nos. Começámos a discutir não sei porquê, e, do nada, as luzes apagaram-se. Não se ouviu um som.
Quando voltei a ver, o Liro tinha desaparecido: a cozinha estava suja de sangue, havia alguma carne picada numa trituradora, e um braço cortado pouco acima do cotovelo no micro-ondas.
Horrorizada, percebi que o Liro estava morto. E, como não havia ninguém por perto, deduzi que fôra eu quem o matara.
-Calma... Calma... - murmurei, enquanto pensava no que devia fazer.
Saí a correr do armazém e fui ter com um grupo de amigos que passeava à beira do rio. Entre eles, distingui Sara. Fui ter com ela e contei-lhe o que acontecera, e, apesar de ser uma grande amiga do Liro, não ficou triste, ou zangada, nem sequer surpreendida.
Disse-me que me ia ajudar a esconder o corpo, e que ia ficar tudo bem.
Regressámos juntas aos armazéns, entrámos na cozinha e deparámo-nos com tudo limpo, sem sinais do cadáver.
Fiquei desesperada: alguém o tinha encontrado. Estava condenada, sem dúvida, não havia nada que pudesse fazer... E agora? Estava tristíssima por ter morto o meu amigo, e a culpa esmagava-me... Sabia que merecia ir presa. Porém, eu não o fizera por querer. Nem sequer me lembrava de nada, era como se tivesse perdido o controlo do meu corpo, e portanto não pudesse escolher matá-lo ou não! Além do mais, lá por eu ir presa, por perder não-sei-quantos anos da minha vida, ele não ia voltar a viver, pois não? Tinha de fugir.
Entretanto, a Sara não perdera a calma, e na sua voz ao mesmo tempo doce, preguiçosa e desinteressada, falava ao telemóvel:
-'Tô? Então, 'tás bom? Tudo bem? Sim, eu também... Olha, é o do costume... Ajudas-me a esconder um corpo?
quarta-feira, 24 de março de 2010
A Rapariga Desfeita
Esta noite, tive um pesadelo terrível: passava-se na minha faculdade, junto à porta que dá para o auditório grande.
É muito difícil explicar o que se passou... Porque, apesar de no meu sonho eu ser eu, e de ter consciência disso, eu via algo que se passava longe de mim, através do olhos de um rapaz. Nunca o vi, nem sequer sei se existe. Só sei que no meu sonho, eu e ele víamos o mesmo:
Lembro-me que, diante desse rapaz, estava uma raparia nua, que também nunca vi. Era muito pálida: a sua pele tinha um tom assustador, entre o rosa e o roxo, e sob a mesma distinguiam-se veias vermelhas e azuis.
Tinha o cabelo preto e curto, pelo queixo.
Não era bonita: tinha o corpo inchado e uma expressão triste mas determinada:
-É preciso! -insistia ela.
De repente, apareceu um enorme cão preto de orelhas cortadas, que a atacou. Ela gritou de dor, mas não tentou fugir, nem sequer afastar o cão: manteve-se de pé, a berrar:
-É preciso! Tem de ser!
O cão arrancou a pele e a carne da sua barriga, deixando à vista os órgãos, cobertos de sangue brilhante.
Eu não quis ver mais e o rapaz desviou os olhos, mas quando a rapariga tornou a gritar, ele teve de olhar outra vez para ela, e ambos vimos a cara dela ser arrancada.
Lembro-me muito bem do crânio dela, encharcado de sangue.
E ela continuava viva, a gritar de dor.
Em pensamento, pedi ao rapaz para ir embora. Ele deixou, e dei comigo diante das escadas em caracol da faculdade, perto da entrada para o auditório.
Pouco depois passou por mim o rapaz, de mão dada com a rapariga. Ela vinha inteira, sem uma única marca.
-Como fizeste isso? -perguntei-lhe.
Ela limitou-se a sorrir debilmente: ainda estava muito fraca.
É muito difícil explicar o que se passou... Porque, apesar de no meu sonho eu ser eu, e de ter consciência disso, eu via algo que se passava longe de mim, através do olhos de um rapaz. Nunca o vi, nem sequer sei se existe. Só sei que no meu sonho, eu e ele víamos o mesmo:
Lembro-me que, diante desse rapaz, estava uma raparia nua, que também nunca vi. Era muito pálida: a sua pele tinha um tom assustador, entre o rosa e o roxo, e sob a mesma distinguiam-se veias vermelhas e azuis.
Tinha o cabelo preto e curto, pelo queixo.
Não era bonita: tinha o corpo inchado e uma expressão triste mas determinada:
-É preciso! -insistia ela.
De repente, apareceu um enorme cão preto de orelhas cortadas, que a atacou. Ela gritou de dor, mas não tentou fugir, nem sequer afastar o cão: manteve-se de pé, a berrar:
-É preciso! Tem de ser!
O cão arrancou a pele e a carne da sua barriga, deixando à vista os órgãos, cobertos de sangue brilhante.
Eu não quis ver mais e o rapaz desviou os olhos, mas quando a rapariga tornou a gritar, ele teve de olhar outra vez para ela, e ambos vimos a cara dela ser arrancada.
Lembro-me muito bem do crânio dela, encharcado de sangue.
E ela continuava viva, a gritar de dor.
Em pensamento, pedi ao rapaz para ir embora. Ele deixou, e dei comigo diante das escadas em caracol da faculdade, perto da entrada para o auditório.
Pouco depois passou por mim o rapaz, de mão dada com a rapariga. Ela vinha inteira, sem uma única marca.
-Como fizeste isso? -perguntei-lhe.
Ela limitou-se a sorrir debilmente: ainda estava muito fraca.
terça-feira, 16 de março de 2010
A marcha dos Pinguins
Não sei como é que ainda não fiz nenhum post sobre este sonho: foi um dos mais engraçados que já tive, cheguei a fazer desenhos e alguns story-boards sobre ele.
Sonhei que, na mesinha de cabeceira do meu pai, havia uma folha de papel, onde ficava a praceta onde é a minha casa. Lá, vivia uma comunidade de pinguins, que, comandados por uma menina, construíam flores a partir de palitos.
Esses pinguins eram muito infeliz: o grande sonho deles era fazer flores verdadeiras!
Por isso, decidiram tomar uma atitude!
Liderados por um pinguim que usava óculos de sol, eles marcharam pela pequena praceta entoando "Somebody to Love".
Devo ter visto "Happy Feet" naquela noite, antes de me deitar.
Sonhei que, na mesinha de cabeceira do meu pai, havia uma folha de papel, onde ficava a praceta onde é a minha casa. Lá, vivia uma comunidade de pinguins, que, comandados por uma menina, construíam flores a partir de palitos.
Esses pinguins eram muito infeliz: o grande sonho deles era fazer flores verdadeiras!
Por isso, decidiram tomar uma atitude!
Liderados por um pinguim que usava óculos de sol, eles marcharam pela pequena praceta entoando "Somebody to Love".
Devo ter visto "Happy Feet" naquela noite, antes de me deitar.
quarta-feira, 3 de março de 2010
STRIKE!!!

Esta noite, antes de sonhar que era uma sereia, sonhei que estava com os meus colegas de faculdade num lugar parecido com o meu infantário, o "mimo infantil" (hoje é o "barco do mimo").
Tenho noção que o lugar era uma escola, na qual conviviam turmas do primeiro ciclo ao ensino superior.
Eu e os meus colegas detestávamos os alunos dos primeiro ano.
Por isso, ao ouvi-los aproximarem-se, escondemo-nos todos debaixo dos balcões de cimento que havia no pátio. Apertámo-nos uns contra os outros debaixo da pedra, e ficámos calados à espera que os míudos se fossem embora.
Mas eles avançaram na nossa direcção, e eu conseguia ver as pernas e os pezinhos das dezenas de crianças mesmo à nossa frente.
Foi então que de entre os meus colegas, ouviu-se uma vozinha de criança, revelando o nosso esconderijo.
Decidimos pois ser amigos dos míudos: começámos a jogar bowlling com eles. Literalmente: eles eram os pinos, e as bolas.
ps: a fotografia neste post é do "mimo infantil", hoje "barco do mimo", o meu infantário.
CHAMEM O 112!!!
Hoje, ao viajar de metro, lembrei-me de um sonho que tive há muito tempo, no ano passado.
Sonhei que estava com a minha turma da António Arroio na estação de metro da Alameda, com a nossa professora de Geometria Descritiva e Directora de turma à espera do metro, para irmos para uma visita de estudo.
Quando chegou o metro, não sei porquê, mas os alunos não entraram: só a professora. Muito animados, dois colegas meus, (O Chico e o Mike) combinaram soltar para a carruagem onde viajava a professora, para a assustarem.
Mas saltaram demasiado tarde: a ultima carruagem passou por eles num ápice, e eles estatelaram-se na linha.
Os corpos foram violentamente sacudidos por choques por momentos, depois ficaram completamente imóveis.
Não se ouviu um som.
Toda a gente na estação parou para olhar os dois rapazes estendidos na linha do metro.
-CHAMEM O 112!!! - gritei.
Só que ninguém me ligou: as pessoas foram-se embora como se nada tivesse acontecido ou voltaram-se umas para as outras e começaram a falar.
Sonhei que estava com a minha turma da António Arroio na estação de metro da Alameda, com a nossa professora de Geometria Descritiva e Directora de turma à espera do metro, para irmos para uma visita de estudo.
Quando chegou o metro, não sei porquê, mas os alunos não entraram: só a professora. Muito animados, dois colegas meus, (O Chico e o Mike) combinaram soltar para a carruagem onde viajava a professora, para a assustarem.
Mas saltaram demasiado tarde: a ultima carruagem passou por eles num ápice, e eles estatelaram-se na linha.
Os corpos foram violentamente sacudidos por choques por momentos, depois ficaram completamente imóveis.
Não se ouviu um som.
Toda a gente na estação parou para olhar os dois rapazes estendidos na linha do metro.
-CHAMEM O 112!!! - gritei.
Só que ninguém me ligou: as pessoas foram-se embora como se nada tivesse acontecido ou voltaram-se umas para as outras e começaram a falar.
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