terça-feira, 26 de outubro de 2010

Detesto acordar antes da parte boa

Ha umas ou duas noites sonhei que (tal como realmente aconteceu no dia seguinte) apesar de ser fim-de-semana, a minha mãe trabalhava...
So que desta vez, obrigou-me a mim, ao meu irmão, ao nosso primo e ao nosso padrasto, a ir com ela, e la ficar ate ela poder sair também.
Mas era tão, tão, tão aborrecido...
A recepção do pavilhão atlântico ficara reduzida a uma salinha apertada e minúsculas cujas paredes estavam cobertas de uma pedra cor de areia, e onde não havia nada senão um elevador, um parede de vidro também com um porta de vidro por onde as pessoas deveriam entrar e um corredor com uma parede de espelho que conduzia a uma casa-de-banho.
Roguei a minha mãe que me deixasse e ao meu primo ir ate a Baixa, mas ela negou terminantemente e ele também não parecia muito interessado, sempre a perguntar-me o que havia la de interessante.
Acabei por perguntar se podia apanhar o metro e ir ao Vasco da Gama (porque agora o Pavilhão Atlântico ficava na estação da Baixa-Chiado) comer um "Choc & Chip" (um gelado delicioso que se compra na Ola).
Ela riu-se para mim e mostrou-me o papel de uma promoção (o papel realmente existiu, a promoção de que ela me falou, infelizmente não), que dizia que tínhamos ganho 258 euros para gastar apenas em gelados, pelo que podia comer os "Choc & chip" que quisesse.
Fiquei doida de alegria.
Antes de ir comprar o meu gelado, fui só ate ao corredor de espelhos tirar uma meia de senhora que estava a usar na cabeça como se fosse uma touca, para ir ate ao Vasco da Gama com um aspecto um pouco mais apresentável.
Ao fazê-lo, descobri que a minha mãe me tinha cortado o cabelo curto, com franja... Estava ondulado e giríssimo.
O sonho termina da pior maneira possível, já que acordei antes de comer o gelado, sem nenhum papelinho a falar daquela fantástica promoção e com o cabelo horrível.

Entre os mortos

Esta noite tive um sonho fascinante: estava morta. Nao sei o que me matou, mas sei que era um fantasma: apesar de o meu corpo me parecer tao solido como sempre, nenhum vivo me via.
Lembro-me de estar no predio onde moram os meus avós, mas nao tinha sido la que tinha morrido, e, apesar de saber que tinha de fazer algo la, nao sei o que era.
Acho que vi escrito algures, ou disse-me uma voz, que quando fizesse o que tinha a fazer espiritos demoniacos seriam libertados e perseguir-me-iam, arrastando-me consigo para um lugar terrivel.
Mas tinha de o fazer. Depois, fugiria o mais rapidamente possível, pronto, tinha de ser.
Fi-lo. Estava em frente a uma porta "A", não sei em que andar, e os corredores estavam todos iluminados (na realidade, as luzes estao sempre apagadas, e so se acendem quando alguem pressiona um dos interroptores brilhantes). La fora, era noite.
Olhei a minha volta, sentindo a minha respiraçao ofegante entre os labios entreabertos.
Entao vi, no topo de um lance de escadas, mesmo ao pe da porta, surgir uma criatura medonha, como uma sombra, ou uma mancha, algo feito de carne mas sem ossos por dentro, que constantemente mudava de forma e grunhia ao aproximar-se de mim.
Voltei-lhe as costas e corri o mais depressa que podia. Ao atravessar o longo corredor do predio, cruzei-me com outros monstros, todos diferentes uns dos outros, mas sempre assustadores. Contornei-os, evitei-os com saltos ageis, e, quando cheguei ao fim do corredor, vi uma senhora viva a espreitar pela porta da sua casa, num cantinho ao lado das escadas (existem, neste predio, duas escadas, uma em cada extremo do corredor). Ela acenou-me e, com os olhos muitos arregalados, como se percebesse a minha aflição, dizia-me:
-Anda, anda! Podes fugir por aqui!
Corri pela casa dela adentro, ela fechou a porta atras de si e passou por mim cheia de pressa. Abriu uma janela e apontou la para fora:
-Va! Vai-te embora!
Percebi que ela nao queria que aquelas coisas horríveis entrassem em sua casa e compreendia perfeitamente. Obedeci, correndo em direcção a janela e saltando para o exterior.
Mais tarde, daria comigo a perguntar-me porque me vira a senhora, talvez fosse uma medium, ou assim.
Não me lembro como nem porque, mas sei que depois de percorrer um caminho qualquer, estava em casa dos meus avós, no segundo andar (tinha descido uns quantos andares, de certeza).
A minha avo e o meu avo estavam sentados nas respectivas poltronas, em silencio, a avo de camisa de noite de alças a olhar para a telivisaozinha pequena diante dela numa mesinha de pau preto e o avo a dormir, ainda vestido com uma camisa de mangas curtas metidas por umas calças de pano cinzento a dentro, com o queixo caído sobre o peito e uma expressão seria.
Nenhum deles me viu.
Da varanda coberta, olhei para a porta da casa: aquelas coisas estava la fora, a minha procura. O melhor era ir-me embora. Mas como? Se saísse pela porta, de certeza que me apanhavam.
A minha única hipótese era saltar da varanda.
Cheia de medo, aproximei-me de uma das janelas, que estava aberta, e subi para as calhas metálicas, a olhar la para baixo, para o terraço deserto, iluminado a um canto por um café silencioso.
Ao longe, via-se Tróia, a Figueirinha, e barcos cujas janelas iluminadas se reflectiam nas aguas do Sado. O ar estava quente, e sentia-se as vezes um vento fresco que arrepiava.
Soube que se ficasse demasiado tempo a pensar que tinha de saltar, nunca o conseguira fazer, pelo que, a tremer, sentei-me na janelas com as pernas caídas para o lado de fora e, muito lentamente, apoiando-me nos braços, levantei o rabo das calhas e senti o corpo todo suspenso no ar, seguro apenas pelas palmas das mãos que continuavam agarradas as janelas.
"Agora ja esta" pensei, enquanto fechava os olhos.
Saltei, e, passado um instante, quase nada, aterrei suavemente no terraço, fazendo apenas um pouco de barulho.
Por uma fracção de segundo fiquei feliz com esta minha vitoria, mas logo depois lembrei-me da porta do prédio mesmo atrás de mim, ladeada por duas compridas janelas, através das quais os meus perseguidores me poderiam ver.
Corri o mais depressa que pude, espreitando um instante por cima do ombro ao sair do terraço.
Os meus pés eram levíssimos, parecia que nem tocavam no chão, mas que flutuavam pouco acima deste. Não tenho a certeza se estava de ténis ao descalça.
Percorri toda a rua do Moinho do Frade, pelo lado esquerdo: lembro-me bem dos carros estacionados ao meu lado e do chão de calçada debaixo de mim.
Depois, algures, virei a esquerda, para onde deveria estar um terreno em muito mas condições, onde há anos atrás, estiveram as ruínas do moinho que dera o nome a rua.
Curiosamente, esse terreno dava para um rua estreita de prédios baixos que conduzia a um lugar muito semelhante ao bairro alto, cheio de bares, de gente e um pouco inclinado, só que as fachadas dos prédios e das casas eram brancas. Tenho ideia que, aqui e ali, havia lanternas chinesas rectangulares pequeninas e coloridas (lembro-me vagamente de ver uma verde-anis e outra fushia) penduradas na fachada de um prédio e do outro que estava em frente.
Vagueei entre os vivos por aquelas ruas, ate me deparar com duas amigas: a Catarina e a Inês. Ambas me viram: estavam mortas!
As três ficamos muitos felizes por nos encontrarmos: já que não podíamos falar com os vivos, e conhecíamos muitos poucos mortos, era uma grande sorte termos morrido todas.
Mas confessei-lhes que tinha muitas saudades da minha família, e gostava de lhes poder dizer algumas coisas...
-Quanto tempo e que isto vai durar?... - suspirei.
-Oh! - fez a Inês, encolhendo os ombros - Tanto tempo quanto uma vida.
-Ou seja?... - insisti, porque estava pouco satisfeita com a resposta.
-94 anos. - disse-me ela.
Ainda era muito tempo de solidão, mas era bom saber que depois disso ia poder morrer finalmente, morrer a serio, e não ter saudades de mais ninguém.
Eu e as minhas amigas ainda ficamos algum tempo juntas, a passear por ali, acho que tentamos beber um copinho ou outro só que não conseguíamos tocar em nenhum objecto (pergunto-me porque teríamos nos roupas).
Mas acabei por me despedir delas, tinha de ir ao encontro da minha família, na Venda-do-Pinheiro, nem que fosse so para ver como eles estavam.
A Catarina e a Ines, por sua vez, ficaram naquele estranho e alegre lugar, cheio de vivos, entre os quais os mortos podiam festejar também, sem que se distinguissem muito bem uns dos outros.
Percorri a pé a ponte 25 de Abril, e passei pelos Olivais (lembro-me de ter escorregado ou caído e estar a rebolar na relva, junto a estátua de um bombeiro. Vi passar, não muito longe, um autocarro amarelo). Podia passar entre os carros sem me preocupar, não tinha fome nem frio; nem pressa. Alias, enquanto andava, pensei com um certo alivio: "Agora, tenho todo o tempo do mundo...".
Quando cheguei a Venda do Pinheiro, fui ate um pequeno escritório que nunca vi na vida, em que três das quatro paredes eram só janelas, tapadas com com varias cortinas amarelas.
A minha mãe e o meu tio estavam la: agora geriam um negocio qualquer importante. O tio estava de pé atrás de uma secretaria, e a minha mãe estava mesmo ao meu lado, junto a uma porta, atrás de uma secretária e de pé também.
Foi o meu tio que lhe disse que eu estava la, ou que tinha a impressão que eu estava la, sem sequer me ver. A minha mãe ficou imóvel, com os olhos arregalados, como se não acreditasse.
Pequei no telemóvel (não faço a menor ideia como era possível eu continuar a poder mexer no telemóvel. Parecia que tinha morrido comigo... algo me diz que já somos demasiado inseparáveis.) para lhe mandar uma mensagem a dizer "Estou mesmo a tua frente". Mas, antes de o fazer, ela disse, e olhar vagamente para o espaço em frente dela, onde eu estava sem que ela me conseguisse ver:
-"Estou mesmo a tua frente".
Fechei o telemóvel com um suspiro: não precisava de mandar mensagem nenhuma, ela conhecia-me e sabia onde eu estava. Abraçamo-nos, e lembro-me de a sentir e a poder apertar nos braços.
Decidi voltar para o meu quarto. Certamente não se teriam desfeito da mobília... Talvez estivesse tudo como antes. Talvez eu pudesse continuar a viver com eles, mesmo que não me vissem, nem ouvissem...
A minha mãe sabia que eu estava la. De certeza que ela não os deixaria livrarem-se das minhas coisas.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Saudades do bairro??

Ontem sonhei que queria ir ao bairro alto. Tinha de ir! Mas a minha mãe não me deixava sair... Por isso, sai de casa a voar.
Voei ao longo da costa portuguesa (que era muito diferente do que e na realidade)a procura de um lugar iluminado e colorido. As vezes pensava que tinha chegado ao meu destino e descia, mas encontrava um lugar deserto iluminado por uma luz branca, e dividido em pequenos rectangulos por baixos muros brnacos, e logo tornava a subr.
Quando finalmente encontrei o bairro alto, deixei-me cair ate ao chão. Recebi então uma sms da minha mãe, que chegou escrita com uma letra muito parecida com a dela, que me pedia desculpas por não me ter deixado sair. Guardei o telemóvel e olhei a minha volta.
Tinha esperança de encontrar alguns amigos, apesar de não termos combinado nada, mas o bairro estava vazio como nunca o tinha visto há noite.
Deambulei um bocado por uns bares ate me deparar com dois colegas, um que não via desde o nono ano, outro desde o quarto! Eram o Mauro e a Catarina... como será que se tinham conhecido? Aproximei-me a espera de uma oportunidade para lhes falar, ansiosa por saber se me reconheciam.
Entretanto, ouvi a voz da minha mãe, vinda de fora do sonho, a perguntar ao meu irmão se tinha visto uma peça do secador.
-A minha mãe só quer saber se vi uma peça do secador... - disse aos meus amigos.
E no momento seguinte a minha mãe agarrou-me os dedos dos pés e abanou-os com delicadeza para me acordar, perguntando-me depois se eu sabia onde estava a tal peça.
-Não sei, mãe, há mais de uma mês que não uso o secador... - respondi prontamente, uma vez que já sabia qual era a pergunta.
Quando a minha mãe saiu do quarto, fiquei a pensar que não tinha chegado a saber como estavam os meus colegas, nem se me iriam reconhecer... Que pena, estava a ser um sonho tão bom... "Pode ser que continue" pensei, aninhando-me nos lençóis.
Resultou. Passados uns instantes, estava outra vez naquela estranho bairro alto, com ruas vazias e iluminado em tons de vermelho e amarelo.
Mas os meus colegas não estavam la: só o meu irmão, que queria que fosse sair com ele e os seus amigos.
Saímos do bar e encontramo-nos com os seus colegas, entre os quais estava o Sponge Bob Square Pants, que se queixava da mais recente dobragem da sua voz, demasiado fina.
Entretanto, alguém gritou ao longe:
-Ei, Sponge, 'tas c'o Tomas?
-Sim! - gritou ele de volta - 'Tou c'o meu amigo Tomas, que e giro mas não e p'ra ver!
Depois disto, eu e o meu irmão afastamo-nos: queria mostrar-me um bar onde costumava ir com os amigos.
Para la chegar, era preciso passar pelo telhado de uma antiga e pobre casa.
Subitamente, era de dia, e um nevoeiro espesso toldava o céu.
Eu e o meu irmão estávamos os dois a atravessar o telhado quando de repente eu cai, morta de medo e a rir a bandeiras despregadas.
-Carolina! - gritou ele, mais divertido que alarmado, e correu a segurar-me.
Bem tentei, mas não consegui tornar a subir para o telhado: escorregava constantemente:
-Tomas, não podemos ir por outro lado? - perguntei, já a ficar preocupada.
-Não. Temos de ir por aqui! - insistiu ele, num tom brincalhão.
-Mas... Tomaaaaas! - gritei, ao cair do telhado.
De olhos esbugalhados, espantada e divertida, dei comigo sentada num alpendre, mesmo abaixo do telhado. Era muito confortável...
Pus-me de pé com um salto e estava prestes a sair dali para fora quando um homem de aspecto rude, gordo, com barba por fazer, suspensórios e chapéu de palha, enfiou a mão no meu bolso e de la tirou algo muito semelhante a uma bola de bilhar. Era um comprimido. Não me lembro como, quando, ou a que propósito, mas sei que tinha ido para ao meu bolso pouco antes, durante o meu sonho. Tenho ideia que estava a usar um vestido azul de inverno, e um casaco castanho que não vejo há muitos anos, (e que por acaso fica muito mal com o tal vestido) que já nem me deve servir. Não me lembro que roupa estava a usar ate então.
Sorri para o homem e fui-me embora, passando por um buraco numa grade que rodeava a propriedade.
Oculta entre urtigas e outras plantas selvagens, vi uma mulher de papel aproximar-se do homem rude, e gritar-lhe:
-Com quem estavas, homem! Andas-m'a trair! - choramingou ela - Vou-m'embora!
-Oh, mulher, não vás! Na tava aqui ninguém!
-As roupas que estavam no alpendre estão amachucadas! Esteve ai alguém!
-Na esteve nada! Não te vás embora!
Acho que fizeram as pazes...

Os jonas brothers presenciam um momento de paz

Tive ha ja umas semanas um sonho muito curioso... Vi, numa pista de gelo, a sair de um coche que caira, os Jonas Brothers, cheios de medo de se terem metido nalguma alhada.
Ao levantarem-se e olharem a sua volta, deparam-se com as bancadas do pavilhao atlantico, ao redor da pista de gelo, cheias de chineses. Só havia chineses nas bancadas.
Num repente, os chineses desatam a gritar, irados, e, no momento seguinte, a cantar.
-Estao a ter um momento de paz! - disse alguem perto de mim, que estava na bancada. -E muito raro, deviamos sentir-nos priveligiados por pudermos ver isto!
"Momento de paz?" pensei. Levantei-me na cadeira e gritei para os chineses:
-Deixem-se de parvoices! Nao veem que estao a fazer da vossa naçao e da vossa cultura uma caricatura!?
Mas ninguem me ligou nenhuma: em vez disso, começaram todos a abraçar-se, a beijar-se... e por ai fora.
-Oh meu Deus!... - exclamei.
Depois de alguns minutos, a multidao de chineses levantou-se como se nada tivesse acontecido e foi-se embora. Do meio das bancadas vazia, uma tia minha gritava:
-Entao e para mim, nao ha nada? O senhor... - nao me lembro no nome do senhor que ela chamava - Olhe que eu nao gosto quando para mim nao ha nada!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

A Grande Vingança

Hoje sonhei com uma mulher que queria desesperadamente vingar-se de um homem. Nao sei o que ele lhe tinha feito.
Um dia, ela conseguiu captura-lo, e obrigou-o a acompanha-la a um hospital. La, ameaçou um medico e uma medica (respectivamente negro e branca), e conseguiu que fizessem o que ela queria.
Ordenou-lhes que a guiassem e ao homem de quem se queria vingar ate um bloco operatório, onde teriam de estar preparados para abrir os dois. O bloco operatório era muito pequeno, separado de muitos outros por finas paredes de plástico brancas, e era intensamente iluminado por uma luz, também branca.
Enquanto os dois médicos se preparavam, a mulher explicou o que queria:
-Vão anestesiar-me primeiro... Cortar-me a cabeça e...
-Cortar-lhe a cabeça? - perguntou a medica. O medico olhou-a pelo canto do olho, com uma expressão que significava: "esta cabra e mesmo doida".
-Sim. - disse a custo a mulher, fechando os olhos e cerrando o sobrolho. Era óbvio que não queria deitar-se e adormecer naquela maca sabendo que nunca mais viria a levantar-se. -Depois, tiram-me os olhos... e põem os dele nas minhas orbitas. Matam-no, e entreguem a minha cabeça com os olhos dele a família e aos amigos dele. -determinou ela.
-Seja. - concordou a medica. Não parecia nada perturbada. Voltou-se e começou a procurar uma serra.
"E se ela mudar de ideias?" pensei eu. "E se depois já não quiser que lhe cortem a cabeça? Será que vai conseguir dizer-lhes, ou só depois de ser anestesiada, quando sentir que esta a perder a voz e que e demasiado tarde, e que ela vai querer desistir?" . Eu não estava la. Só os meus olhos, e a minha consciência. Não sei onde estava o meu corpo. Era um pouco como ver um filme.
Entretanto, a mulher lançava olhares ameaçadores aos dois médicos e ao homem. Lembro-me que ela era pálida, tinha cabelo loiro comprido preso num rabo-de-cavalo e feições delicadas, o queixo um pouco redondo e o nariz arrebitado.
O homem estava ao seu lado: parecia um pouco nervoso, como se pensasse: "aposto que isto vai correr mal". Mas não chorou, nem disse nada. Limitou-se a olhar a sua volta, um pouco desamparado, com o sobrolho franzido e a boca ligeiramente aberta, como se não conseguisse respirar pelo nariz. Cruzava os braços, descruzava, coçava o queixo, punha as mãos nos bolsos, tirava... Era moreno, de cabelo castanho curto e espetado, e uma barba espessa da mesma cor. A cara era magra, o nariz recto.
Lembro-me de que de repente estava sobre a maca um pequeno rectângulo preto, rijo, com um forro semelhante aos tapetes dos carros. Era um encaixe para uma cabeça. Provavelmente, era uma espécie de almofada que os médicos usavam para manter o pescoço do paciente (ou vitima) direito enquanto o decapitavam.
-Esta tudo pronto. - disse a medica.
Depois, só me lembro de a mulher estar deitada atravessada na maca, o medico e o homem de quem ela se queria vingar a segurarem-lhe os braços, enquanto a medica de lhe cortava os pés pelos tornozelos: estava a explicar-lhe como lhe iriam cortar a cabeça.
A mulher já tinha sido anestesiada, mas a droga ainda não começara a fazer efeito, e ela gritava como uma louca. Entretanto, eu tornei-me a mulher. A minha consciência estava no corpo dela.
Recordo-me de olhar para baixo e ver os pés branquinhos serem cortados, a medica a segura-los e a dizer-me que ficasse calma. E doía! Era uma dor aguda! Parecia que ardia.
Tudo começou a ficar escuro, e eu já não me ouvia gritar: "Vão cortar-me a cabeça e não lhes consigo dizer para pararem!" pensei.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Eh pá, o Sporting é meeesmo fixe...

Pouco depois do sonho em que a minha amiga dava à luz numa piscina, sonhei que estava com a minha mãe no meu quarto, e que, ao olhar-mos através da janela, vimos um indio norte-americano passear no nosso jardim, segurando um grande cajado, como se fosse um enorme archote.
Pouco depois, guerreiros africanos apareceram: traziam consigo duas lanças, com uma grande máscara daquelas africanas de madeira penduradas.
Espetaram as lanças no chão e correram dali para fora.
-Mãe, o que é que está a acontecer? - perguntei.
-Morreram dois guerreiros Sul-Africanos. Os seus fantasmas têm de ocupar corpos de pessoas vivas e seguir as luzes que o índio-norte americano está a acender com o seu archote para chegar ao mundo dos espíritos.
-Ah.
-Vamos ver se está tudo a correr bem.
E fomos.
Assim que chegámos ao jardim, o índio passou por nós como se não nos visse, rijo como uma pedra, em direcção ao portão.
-Parece que um fantasma já ocupou o corpo dele... -comentou a minha mãe. -Mas... Acho que ele se esqueceu de acender um candeeiro!
Corremos as duas em direcção ao candeeiro (era igual a um candeeiro de rua, mas muito mais pequeno e branco. O candeeiro existiu realmente, exactamente no sítio onde o imaginei... mas há anos que já não está lá).
Diante do candeeiro, percebemos porque é que o índio não precisara de o acender: a luz da lua, no céu, brilhava através do vidro. Tenho a certeza que era fim-de-tarde... Porém, o Sol estava a pôr-se em Este, e a Lua estava a aparecer em Oeste... Era suposto ser ao contrário.
-Ah... - fez a minha mãe.
Pouco tempo depois, um fantasma ocupou o corpo dela. Não me lembro do que aconteceu até ela voltar:
-Mãe! Estás bem?
-Estou óptima... - disse-me ela, com um suspiro. Parecia mesmo satisfeita. -Quando um fantasma ocupa o teu corpo, tu deixas de o sentir... Nem te consegues mexer! Deixas de ver, e só consegues pensar no teu clube de football! - contou ela. Parecia que lhe tinha acontecido a melhor coisa do mundo.
Estávamos a voltar a casa quando alguém me agarrou pelos tornozelos e puxou. Ao cair, percebi imediatamente que se tratava de um fantasma. Enquanto ele me arrastava pelo chão, arranhei desesperadamente a terra e gritei pela minha mãe, que se limitou a olhar para mim, meneando lentamente a cabeça e sorrindo, como se estivesse feliz por mim. Tinha as mãos dadas junto ao colo.
Eu tentei fugir, mas o fantasma era mais forte do que eu...
Num repente, deixei de sentir o meu corpo. Estava leve, leve! Parecia que flutuava. Tentei mexer um braço, mas não consegui. E não me preocupei com isso. Só conseguia pensar no Sporting. Uma vez que não sei nada de football, aliás, nem sei quando são os jogos, nem nada disso, só consegui pensar: "Bem... Eh pá, o Sporting é meeesmo fixe. Fogo... É mesmo bom ser sptortinguista. Que bom!".
Entretanto, via ora a bandeira de Portugal, ora a ponte 25 de Abril... ou seria a Vasco da Gama?
A minha mãe tinha razão. Era uma sensação fantástica.
De repente, tudo voltou ao normal: via o que se passava à minha volta, conseguia pensar noutra coisa além do Sporting e era capaz de mexer o meu corpo.
Deduzi que o fantasma tivesse encontrado o mundo dos espíritos e fui-me embora.

Catarina, passa a bol... WTF???

Acho que foi no mês passado que tive este sonho. Estava superocupada, e este foi dos poucos sonhos que tive na altura.
Sonhei que uma amiga minha chamada Catarina me convidava e a uns colegas para irmos a uma piscina.
Aceitámos todos, e mal chegámos, mete-mo-nos na água e começámos a jogar volley.
Estava-mos a divertir-nos imenso, até que de repente um grupo de mulheres grávidas, todas vestidas com fatos de banho e com toucas enfiadas na cabeça, saltou para a água e começou a dar à luz.
-Ó MEU DEUS! - gritei, horrizada. Lembro-me de pensar que aquilo não podia higiénico.
Uma a uma, as mulheres erguiam os seus filhos recém-nascidos da água e olhavam maravilhadas para os seus rostos vermelhos. Um dos bebés começou a discutir com a mãe, agitando o indicador diante dela como se a ameaçasse, e dizendo incongruências. Era a coisa mais feia que já vi, com o rosto completamente deformado. A mãe ficou a olhar para ele até se calar, boquiaberta e de olhos arregalados. Quando o bebé finalmente se acalmou, ela abraçou-o, rindo.
-O que é que está a acontecer!? - gritei, voltando-me para os meus colegas.
Então, para minha surpresa, vi a minha amiga a dar à luz, ajudada pelo nosso colega António.
-CATARINA?!
Depois de ter o filho, ela saiu da piscina com toda a naturalidade, segurando o filho com cuidado.
Fomos todos atrás dela, vi-mo-la entregar calmamente o bebé a uma enfermeira e vestir um roupão. Os pais dela estavam lá, e olhavam-na, maravilhados.
Tinha imensas perguntas para fazer, mas nem sabia por onde começar.
Catarina contou-me como escondera a sua gravidez, e eu lembrei-me de uma conversa que tínhamos tido à pouco tempo (que realmente aconteceu) sobre mulheres que só descobriam que estavam grávidas quando entravam em trabalho de parto, ou que conseguiam esconder a gravidez do principio ao fim. Na altura, eu não acreditara nela, mas lembro-mo de pensar, no sonho: "A Catarina tinha razão... agora acredito nela!". E logo a seguir: "Quem será o pai?"... Mas não lhe perguntei. Não sabia se ela queria responder.
Ao sairmos da piscina, entramos numa pequena sala onde havia um grande ecrã. Através dele, vimos o filho de Catarina ser deitado numa encubadora, ainda sujo de sangue, e sobre um outro colega nosso, o Jonhy, que o abraçava. O Jonhy estava prestes a chorar: parecia mais emocionado que a própria Catarina.
Sei, no entanto, que ele não era o pai.
"Mas quem será o pai", tornei a pensar.