Esta última noite foi incrível (no que concerne a sonhos... porque não saí de casa e dormi com o meu irmão)! Vivi duas aventuras fantásticas, uma após a outra!
A primeira passava-se durante um apocalipse zombie. Bem, na verdade, não era um apocalipse... Porque a vida continuava a decorrer normalmente: bastavam alguns cuidados para a população viva evitar qualquer contacto com a morta.
Ainda assim, eu tinha imenso medo de sair de casa. Todavia, quando a minha mãe chegou a casa, insistiu para que eu fosse comprar pão. Fiz "olhinhos-de-bambi", choraminguei, chantageei, mas não me serviu de nada.
Com as pernas a tremer, meti-me no elevador e saí no andar errado (no prédio de Massamá há dois andares que dão acesso à rua). Atravessei o jardim, percorri as ruas, até chegar à estação de comboios de Monte-Abraão. Só depois de entrar num comboio e este iniciar a sua marcha é que me apercebi que estava a seguir um caminho completamente errado.
Aborrecida de morte por me ter enganado, saí na estação seguinte, decidida a entrar no primeiro comboio que seguisse no sentido contrário, para poder regressar a casa.
No entanto, não sei como, deparei-me com um grupo de pessoas feridas e assustadas que temia a chegada de zombies a qualquer hora. Não consegui partir sem os ajudar.
Depois, só me lembro de estar numa casa, mais especificamente numa cozinha apertada, com duas portas: uma em cada extremidade. Uma delas dava para a rua, e eu estava apoiada contra ela, usando o meu peso para impedir um grupo de zombies famintos de entrar. Tinha medo. Tanto medo.
Estava comigo uma mulher grávida, o respectivo marido, e um outro homem. Ela tinha cabelo loiro e curto, preso num minúsculo rabo-de-cavalo. Não me lembro do seu marido. O outro homem era bonito, tinha o cabelo castanho curto e a barba por fazer.
O resto do grupo tinha-nos deixado: quando perceberam que a mulher grávida não podia fugir dali a tempo de escapar aos zombies, deixaram-nos para trás.
-AAAAH!- gritei, quando vi uma série de dedos putrefactos passar pela porta.
Eu e a mulher grávida atirá-mo-nos de costas contra a porta várias vezes, e assim que o monstro recuou, trancámos a porta e deixámo-nos cair onde estávamos: ela encostada à porta e eu a uma bancada.
Entretanto, os dois homens não se mexeram: limitaram-se a olhar para nós boquiabertos, com os olhos arregalados de medo.
Instantes depois, apareceu à outra porta um bebé morto:
-Meu Deus... -murmurei - um bebé zombie.
Os zombies tinham conseguido entrar por outro lado qualquer. Estávamos cercados.
Muito mais rápido do que eu imaginara que ele fosse capaz, o bebé correu para a mulher grávida e saltou sobre a a barriga dela, começando nesse mesmo instante a comê-la.
As duas gritámos como só as mulheres conseguem, e segundos depois o homem bonito caiu à minha frente com vários zombies adultos agarrados às suas costas (com unhas e dentes, literalmente) tentando a todo o custo arrancar pedaços de carne.
Amparando-me na bancada, levantei-me, abri a porta a que a mulher grávida estava encostada e saltei para a rua. Tudo isto sem que eu parasse de gritar.
Na rua, desferi murros e pontapés a torto e a direito, e consegui atravessar a multidão de zombies sem que me tocassem.
O marido da mulher grávida, que me seguira, não teve tanta sorte: um dos mortos cavara com as unhas um profundo buraco na palma da sua mão.
-Arranharam-me! Arranharam-me! - gritou o homem.
Ao ouvi-lo, soube que dentro de algum tempo ele seria um daqueles monstros. Senti por ele uma repulsa que era quase nojo, e preparava-me para abandoná-lo entre os mortos quando os seus gritos de me despertaram pena. Voltei atrás e segurei firmemente a sua mão sã, puxando-o na minha direcção com toda a minha força.
Quando se apercebeu da minha presença, o homem calou-se, fitou-me por instantes, com os olhos muitos redondos e a boca entreaberta, e seguiu-me.
Não sei como nem porquê, mas estávamos novamente na estação de Monte Abraão, e não naquela onde eu saíra por engano.
Atravessámos uma passagem superior, quase caímos numa valeta ao tentar contorná-la, e finalmente fomos agarrados por dois policias que nos enfiaram num jipe: iam levar-nos a casa.
Muito encolhida no meu assento, eu esforçava-me por não olhar para o homem que salvara. Não conseguia decidir se devia ou não revelar aos polícias que ele fôra infectado.
Tinha imensa pena dele: vira a morrer a mulher e o filho que ainda nem nascera, e sabia que dentro de algum tempo ele próprio seria um monstro como aqueles que, naquela altura, deviam estar a devorar a carne das pessoas que mais amava no mundo.
Mas se não dissesse nada, era possível que ele viesse a matar ou infectar outras pessoas...
O jipe parou diante de uma casinha baixa e estreita, feita de um material cuja cor lembrava o barro. Era uma adorável: tinha flores vermelhas nos parapeitos da janelas e cortinas de renda. Estava entalada entre várias outras casas semelhantes, numa rua muito inclinada.
O homem saiu do carro e entrou em sua casa.
Depois os polícias continuaram a descer a rua, para me levarem a mim a casa.
Fui incapaz de tirar os olhos da casinha do homem até ela desaparecer por detrás de outras casas e prédios.
Não sei o que acontecera entretanto, mas de repente aquele homem nunca tinha sido casado com a mulher grávida: era meu namorado. Enquanto os polícias me levavam a casa, eu tentava decidir se iria ou não tornar a visitá-lo, antes de ele sucumbir à infecção.
Quando cheguei a casa, todas as luzes estavam apagadas excepto a do hall de entrada.
"Espero que o Tomás me deixe dormir com a mãe, hoje." pensei. Fui até à sala e deparei-me com o meu irmão estendido no sofá, a dormir. Tinha a farda da escola vestida e tapava os olhos com o braço direito.
Deixei-o e fui ao encontro da minha mãe, que me abraçou com força. Ela já soubera o que acontecera:
-Deixa-me dormir contigo, hoje. -pedi-lhe.
-Claro.
Não percebo porque estaria o meu irmão a dormir no sofá quando podia ter ido para o seu próprio quarto... Mas esse é talvez o pormenor mais insignificante de todos.
No próximo post: o outro sonho fantástico que se seguiu a este.
domingo, 22 de maio de 2011
sábado, 21 de maio de 2011
Orgulho vão e noites a pé
Creio que foi há um mês que sonhei este sonho: em vez de morarmos na quinta do meu padrasto, morávamos todos num pequeno apartamento, situado numa cidade cujas ruas tinham um aspecto pobre e sujo, e onde nenhum prédio tinha mais de quatro andares.
Tinha discutido com o meu padrasto, já não sei porquê... Apesar de o motivo não o justificar, saí de casa, decidida a passar a noite fora. Lembro-me muito claramente de querer que não me quisessem em casa, só para ter uma desculpa para tomar aquela ridícula atitude.
Estava muito mais frio na rua do que eu imaginava, mas o meu orgulho não me permitiu regressar a casa. Aliás, não mudei de ideias nem mesmo quando me cruzei com alguns vagabundos de aspecto ameaçador, que me encheram de medo.
Subitamente, começou a chover. Impelida pela minha vontade inabalável, comecei a procurar um lugar resguardado onde pudesse dormir.
Deitei-me à entrada de um prédio com uma porta metálica. Como as gotas de chuva ainda me alcançavam, senti que tinha ganho a sorte grande quando alguém saiu do prédio: aproveitei imediatamente a oportunidade para entrar.
O interior era escuro e lúgubre: as paredes estavam revestidas de uma tinta cinzenta ou verde, já muito gasta, e sob os meus pés havia uma extensa escadaria de madeira, que, curiosamente, era horizontal em vez de vertical, paralela ao chão desde o principio até ao fim.
Curiosa, avancei uns passos e premi um botão, que deveria indicar o número respectivo a um andar (já não me lembro onde estava o tal botão, mas estava lá).
No momento em que o fiz, as escadas começaram a avançar sozinhas, e fizeram-me pensar nas escadas mágicas de Hoghwarts, ou nas escadas rolantes da estação de comboios do Areeiro.
Pararam subitamente diante de uma porta. Foi então que percebi que naquele lugar os prédios não precisavam de ser altos porque os andares se distribuíam no comprimento, e não na altura. Achei que era algo extremamente estúpido, mas fiquei fascinada por isso de qualquer maneira.
Um homem de aspecto rude, e muito magrinho, abriu a porta. Ficou muito feliz por me ver, e cumprimentou-me calorosamente (tenho a certeza absoluta que já tinha sonhado com ele antes... devo tê-lo salvo de algum monstro, ou algo do género). Convidou-me a entrar e apresentou-se à sua mulher, que estava numa velha e apertada cozinha, com paredes revestidas de uns azulejos acastanhados muito feios. Através das portas do casa, que estavam todas escancaradas, consegui ver os filhos do casal a brincar na banheira, completamente às escuras.
Eram pessoas simpáticas e estava a divertir-me com eles... Mas tinha consciência de que precisava de dormir, porque em breve teria de ir para a faculdade e precisava mesmo de descansar.
O homem pediu-me para passar lá a noite, e tive muita vontade de aceitar, até me lembrar que a minha mãe ficaria muito assustada/zangada se acordasse de manhã e soubesse que eu tinha passado uma boa parte da noite sozinha na rua, e outra na casa de um desconhecido. Ainda por cima, sem ter avisado ninguém. Por isso, agradeci ao casal o seu convite, mas recusei-o e expliquei-lhes porquê, acrescentando que teria de estar em casa antes de madrugada.
Eles ficaram muito aborrecidos com a minha resposta, e começaram a preparar "um farnel para a minha viagem de regresso".
Tentei ser paciente e esperar, mas estava exausta e via desesperadamente o Sol nascer lá fora, sem que eu tivesse dormido um só instante e imaginando a ira da minha mãe quando chegasse a casa.
A cozinha feia do casal transformara-se entretanto na cozinha da casa da minha mãe: muito espaçosa, toda branca e luminosa, só que bastante desarrumada.
Quando finalmente consegui sair de casa do casal, já tinha amanhecido. Olhei para o céu com um suspiro, e pensei que depois das aulas poderia finalmente dormir.
Acho muito interessante o facto de estar a dormir e mesmo assim sonhar com insónias...
Tinha discutido com o meu padrasto, já não sei porquê... Apesar de o motivo não o justificar, saí de casa, decidida a passar a noite fora. Lembro-me muito claramente de querer que não me quisessem em casa, só para ter uma desculpa para tomar aquela ridícula atitude.
Estava muito mais frio na rua do que eu imaginava, mas o meu orgulho não me permitiu regressar a casa. Aliás, não mudei de ideias nem mesmo quando me cruzei com alguns vagabundos de aspecto ameaçador, que me encheram de medo.
Subitamente, começou a chover. Impelida pela minha vontade inabalável, comecei a procurar um lugar resguardado onde pudesse dormir.
Deitei-me à entrada de um prédio com uma porta metálica. Como as gotas de chuva ainda me alcançavam, senti que tinha ganho a sorte grande quando alguém saiu do prédio: aproveitei imediatamente a oportunidade para entrar.
O interior era escuro e lúgubre: as paredes estavam revestidas de uma tinta cinzenta ou verde, já muito gasta, e sob os meus pés havia uma extensa escadaria de madeira, que, curiosamente, era horizontal em vez de vertical, paralela ao chão desde o principio até ao fim.
Curiosa, avancei uns passos e premi um botão, que deveria indicar o número respectivo a um andar (já não me lembro onde estava o tal botão, mas estava lá).
No momento em que o fiz, as escadas começaram a avançar sozinhas, e fizeram-me pensar nas escadas mágicas de Hoghwarts, ou nas escadas rolantes da estação de comboios do Areeiro.
Pararam subitamente diante de uma porta. Foi então que percebi que naquele lugar os prédios não precisavam de ser altos porque os andares se distribuíam no comprimento, e não na altura. Achei que era algo extremamente estúpido, mas fiquei fascinada por isso de qualquer maneira.
Um homem de aspecto rude, e muito magrinho, abriu a porta. Ficou muito feliz por me ver, e cumprimentou-me calorosamente (tenho a certeza absoluta que já tinha sonhado com ele antes... devo tê-lo salvo de algum monstro, ou algo do género). Convidou-me a entrar e apresentou-se à sua mulher, que estava numa velha e apertada cozinha, com paredes revestidas de uns azulejos acastanhados muito feios. Através das portas do casa, que estavam todas escancaradas, consegui ver os filhos do casal a brincar na banheira, completamente às escuras.
Eram pessoas simpáticas e estava a divertir-me com eles... Mas tinha consciência de que precisava de dormir, porque em breve teria de ir para a faculdade e precisava mesmo de descansar.
O homem pediu-me para passar lá a noite, e tive muita vontade de aceitar, até me lembrar que a minha mãe ficaria muito assustada/zangada se acordasse de manhã e soubesse que eu tinha passado uma boa parte da noite sozinha na rua, e outra na casa de um desconhecido. Ainda por cima, sem ter avisado ninguém. Por isso, agradeci ao casal o seu convite, mas recusei-o e expliquei-lhes porquê, acrescentando que teria de estar em casa antes de madrugada.
Eles ficaram muito aborrecidos com a minha resposta, e começaram a preparar "um farnel para a minha viagem de regresso".
Tentei ser paciente e esperar, mas estava exausta e via desesperadamente o Sol nascer lá fora, sem que eu tivesse dormido um só instante e imaginando a ira da minha mãe quando chegasse a casa.
A cozinha feia do casal transformara-se entretanto na cozinha da casa da minha mãe: muito espaçosa, toda branca e luminosa, só que bastante desarrumada.
Quando finalmente consegui sair de casa do casal, já tinha amanhecido. Olhei para o céu com um suspiro, e pensei que depois das aulas poderia finalmente dormir.
Acho muito interessante o facto de estar a dormir e mesmo assim sonhar com insónias...
sábado, 14 de maio de 2011
Este sonho foi mesmo estranho, e já chocou alguns colegas a quem o contei: não sei porquê, mas vivíamos todos com um dos nossos professores. Dormíamos todos no mesmo quarto, em vários colchões espalhados pelo chão. A cama estava reservada ao professor e a dois colegas meus... que não reagiram muito bem quando lhes contei isto (apesar de não haver nada entre eles e o dito professor).
Esqueci-me que devia ter publicado este sonho antes de "Minões, minões" : é-lhe anterior...
Seja como fôr, estava no jardim da quinta onde moro, mas não na parte bonita, diante da qual as pessoas param para tirar fotografias. Estava na parte selvagem, onde o terreno é íngreme e a relva tão espessa que é difícil caminhar entre ela. Por todo o lado há pedras, árvores tombadas, e muitas, muitas mimosas. Aquelas plantas são uma autêntica praga.
Estava com o meu irmão (que na realidade nunca vai para o jardim, muito menos para a parte selagem, desde que deixámos de ser crianças) e tinha entre as mãos um cachorrinho recém-nascido: estávamos a celebrá-lo. A determinada altura o bebé começou a urinar nas minhas mãos (isto acontece-me sempre...), e tive de o afastar um pouco de mim para não me sujar mais.
Pouco depois, estávamos no cantinho mais remoto de toda a quinta com toda a nossa família, unicamente por causa do bebé.
Durante a festa, a mãe do meu padrasto aproximou-se de mim para comentar como os homens não lhe resistiam, apesar da sua idade avançada. Eu lancei-lhe um olhar de desprezo pelo canto do olho (ultimamente ela tem-se revelado uma pessoa extremamente cruel), entreguei o cãozinho a alguém e comecei a trepar pelas pedras, dizendo bem alto:
-Com licença, tenho de ir ao meu quarto ver se alguém me roubou... - a mãe do meu padrasto ofendeu-se muito com o que eu disse: era bastante claro que estava a gozá-la, uma vez que vive apavorada com a ideia com que a roubem. Aliás, todas as empregadas que teve até agora, por muito amáveis, prestáveis e educadas que fossem, eram aos seus olhos ladras cínicas. Os filhos dela também são ladrões, os caseiros das suas quintas também são ladrões,... Ironicamente, existem pessoas que a roubam mesmo, e dessas, ela nunca suspeita. Pensa que são pobres criaturas injustiçadas que precisam do seu socorro, ou então que nutrem por ela um verdadeiro interesse ou até amor passional, e merecem o seu dinheiro... perdão, a sua atenção.
Então ela pôs-se a subir a encosta atrás de mim, a tagarelar, sem que eu lhe desse importância.
Entrei em casa (que parecia uma daquelas coisas enormes e coloridas onde os miúdos brincam no McDonald's) e fui até uma espaçosa divisão destinada aos meus cães, onde havia somente um sofá.
Ela continuava a cacarejar incansavelmente atrás de mim, e de repente senti-me tão cansada (e senti mesmo), que caí no sofá e desmaiei.
Então entraram na sala vários actores, vestidos com bonitas roupas coloridas que lembravam os palhaços do Circu du Soleil. Estou convencida de se tratavam dos meus cães transformados em pessoas.
Não existem palavras para definir a raiva que nutriam pela mãe do meu padrasto naquele momento. Mataram-na, e, no momento em que acordei, já não restavam nenhumas provas do crime.
Seja como fôr, estava no jardim da quinta onde moro, mas não na parte bonita, diante da qual as pessoas param para tirar fotografias. Estava na parte selvagem, onde o terreno é íngreme e a relva tão espessa que é difícil caminhar entre ela. Por todo o lado há pedras, árvores tombadas, e muitas, muitas mimosas. Aquelas plantas são uma autêntica praga.
Estava com o meu irmão (que na realidade nunca vai para o jardim, muito menos para a parte selagem, desde que deixámos de ser crianças) e tinha entre as mãos um cachorrinho recém-nascido: estávamos a celebrá-lo. A determinada altura o bebé começou a urinar nas minhas mãos (isto acontece-me sempre...), e tive de o afastar um pouco de mim para não me sujar mais.
Pouco depois, estávamos no cantinho mais remoto de toda a quinta com toda a nossa família, unicamente por causa do bebé.
Durante a festa, a mãe do meu padrasto aproximou-se de mim para comentar como os homens não lhe resistiam, apesar da sua idade avançada. Eu lancei-lhe um olhar de desprezo pelo canto do olho (ultimamente ela tem-se revelado uma pessoa extremamente cruel), entreguei o cãozinho a alguém e comecei a trepar pelas pedras, dizendo bem alto:
-Com licença, tenho de ir ao meu quarto ver se alguém me roubou... - a mãe do meu padrasto ofendeu-se muito com o que eu disse: era bastante claro que estava a gozá-la, uma vez que vive apavorada com a ideia com que a roubem. Aliás, todas as empregadas que teve até agora, por muito amáveis, prestáveis e educadas que fossem, eram aos seus olhos ladras cínicas. Os filhos dela também são ladrões, os caseiros das suas quintas também são ladrões,... Ironicamente, existem pessoas que a roubam mesmo, e dessas, ela nunca suspeita. Pensa que são pobres criaturas injustiçadas que precisam do seu socorro, ou então que nutrem por ela um verdadeiro interesse ou até amor passional, e merecem o seu dinheiro... perdão, a sua atenção.
Então ela pôs-se a subir a encosta atrás de mim, a tagarelar, sem que eu lhe desse importância.
Entrei em casa (que parecia uma daquelas coisas enormes e coloridas onde os miúdos brincam no McDonald's) e fui até uma espaçosa divisão destinada aos meus cães, onde havia somente um sofá.
Ela continuava a cacarejar incansavelmente atrás de mim, e de repente senti-me tão cansada (e senti mesmo), que caí no sofá e desmaiei.
Então entraram na sala vários actores, vestidos com bonitas roupas coloridas que lembravam os palhaços do Circu du Soleil. Estou convencida de se tratavam dos meus cães transformados em pessoas.
Não existem palavras para definir a raiva que nutriam pela mãe do meu padrasto naquele momento. Mataram-na, e, no momento em que acordei, já não restavam nenhumas provas do crime.
Minões, minões
Há cerca de uma semana sonhei que me encontrava num condomínio privado com bonitas casas amarelas, muito semelhante ao que fica diante da quinta onde moro. Não se via nem ouvia ninguém.
Só quando passei por uma pequena ponte que ligava duas casas ouvi risos. Olhei para cima e constatei que se tratava de duas crianças acompanhadas de um cão, que tentava transpor as grades e saltar lá para baixo, para ao pé de mim. Sorri ao vê-lo, e, para divertir os pequenos, passei por debaixo da ponte várias vezes, para lá e para cá. Sempre que eu ia para "lá", a cabeça do cão aparecia na ponte a espreitar para o lado de "lá"; se eu ia para "cá", o cão corria e olhava para o lado de "cá".
De repente, vi-o saltar para cima das grades e equilibrar-se (muito mal) sobre elas, com as patas dianteiras e traseiras muito juntas, como se estivesse sentado. Percebi imediatamente que ia tentar saltar:
-Não! -ordenei. -Não saltes!
Mas ele saltou.
Soou um estrondo abafado no momento em que ele tocou no chão, e eu senti o ventre gelado. Corri para ele e debrucei-me sobre o seu corpo inerte. Verifiquei que quase não respirava, e apesar de ver nem uma gota de sangue, ou qualquer outro sinal de que ele se tinha magoado, deduzi que estivesse completamente partido por dentro. Com cuidado, apalpei-lhe o corpo, à procura de ossos partidos.
Só então me apercebi que aquele cão se parecia muito com o Alex. Era, aliás, igualzinho a ele, mais do que um irmão gémeo. Posso, no entanto, garantir que não era ele.
Tinha acabado de verificar que uma pata traseira estava intacta quando o cão começou a dar ao rabo. Um pouco hesitante, ele levantou-se, e depois ficou ali a olhar para mim, todo contente, a abanar o corpo todo como se não lhe tivesse acontecido nada.
Nesse momento, vi que o mundo tinha girado debaixo de mim e do cão sem que eu me tivesse apercebido: o cão caíra do lado de "lá" da ponte, no entanto, estávamos os dois agora no lado de "cá". Sorri de alívio e afaguei o seu pêlo dourado antes de me ir embora.
Não me lembro do caminho que percorri: apenas de chegar a casa. Era muito diferente do que é na realidade. Em vez de ter aquele ar adorável de casinha de campo, parecia uma daquelas casas todas modernas, muito minimalistas. Era completamente branca, e parecia feita de quadrados, construídas unicamente com linhas rectas perpendiculares entre si.
Entrei por uma garagem um pouco escura, onde a única fonte de luz era o portão aberto. Estava lá a minha mãe, a queixar-se de alguma coisa em relação ao meu padrasto. Estava furiosa. Ouvi-a em silêncio, sem nenhuma vontade de me envolver nas suas discussões.
Pouco depois ele apareceu, e começaram os dois a discutir. O problema tinha qualquer coisa haver com dinheiro... Sempre o dinheiro.
No meio de tantos gritos, tanta confusão, tanta coisa, a minha mãe disse-lhe algo que ele não gostou nada de ouvir (mas que era verdade). Ficaram os dois mudos, a olhar um para o outro por breves instantes. Depois, o meu padrasto voltou-nos as costas e foi-se embora. Eu subi as escadas juntamente com a minha mãe e entrámos num quarto espaçoso e bem iluminado, com duas grandes janelas que davam para duas varandas. O chão era de uma madeira muito clara. Suponho que há esquerda de quem entrava havia uma pequena cama de casal, e há direita uma parede toda ocupada por um guarda-fatos. Em suma, era um quarto muito semelhante ao de uma tia minha, só que, exceptuando a cama, estava completamente vazio.
Mal entrámos, ouvimos um ganido horrível, que nos fez tremer de receio e ansiedade. Nem um segundo passara, o meu padrasto apareceu numa das varandas (não sei como subiu até lá) e entrou no quarto, com um grande objecto metálico na mão. Não me recordo muito bem do que era, mas suponho que se tratasse de um pé-de-cabra.
-Sabes o que acabei de fazer? - perguntou à minha mãe, cheio de raiva -matei um cão.
Mal disse isto, começou a bater com aquelas coisa metálica no chão, disposto a destruir a casa.
Depois, tudo aconteceu muito rápido.
"Deus queira que não tenha não tenha sido um dos nossos" foi a primeira coisa que pensei (muitas pessoas costumam deixar os seus animais connosco quando se ausentam por um motivo qualquer, uma vez que nos servimos dos nossos canis como um hotel para cães). "E se foi o Alex?" pensei de seguida.
-AAAH! -rugi - Como podes ser tão mau?!
Atirei-me para cima dele e mordi-o com tanta força que penso que tenha arrancado um pedaço de carne da sua perna.
Acordei imediatamente depois, encharcada de suor.
Só quando passei por uma pequena ponte que ligava duas casas ouvi risos. Olhei para cima e constatei que se tratava de duas crianças acompanhadas de um cão, que tentava transpor as grades e saltar lá para baixo, para ao pé de mim. Sorri ao vê-lo, e, para divertir os pequenos, passei por debaixo da ponte várias vezes, para lá e para cá. Sempre que eu ia para "lá", a cabeça do cão aparecia na ponte a espreitar para o lado de "lá"; se eu ia para "cá", o cão corria e olhava para o lado de "cá".
De repente, vi-o saltar para cima das grades e equilibrar-se (muito mal) sobre elas, com as patas dianteiras e traseiras muito juntas, como se estivesse sentado. Percebi imediatamente que ia tentar saltar:
-Não! -ordenei. -Não saltes!
Mas ele saltou.
Soou um estrondo abafado no momento em que ele tocou no chão, e eu senti o ventre gelado. Corri para ele e debrucei-me sobre o seu corpo inerte. Verifiquei que quase não respirava, e apesar de ver nem uma gota de sangue, ou qualquer outro sinal de que ele se tinha magoado, deduzi que estivesse completamente partido por dentro. Com cuidado, apalpei-lhe o corpo, à procura de ossos partidos.
Só então me apercebi que aquele cão se parecia muito com o Alex. Era, aliás, igualzinho a ele, mais do que um irmão gémeo. Posso, no entanto, garantir que não era ele.
Tinha acabado de verificar que uma pata traseira estava intacta quando o cão começou a dar ao rabo. Um pouco hesitante, ele levantou-se, e depois ficou ali a olhar para mim, todo contente, a abanar o corpo todo como se não lhe tivesse acontecido nada.
Nesse momento, vi que o mundo tinha girado debaixo de mim e do cão sem que eu me tivesse apercebido: o cão caíra do lado de "lá" da ponte, no entanto, estávamos os dois agora no lado de "cá". Sorri de alívio e afaguei o seu pêlo dourado antes de me ir embora.
Não me lembro do caminho que percorri: apenas de chegar a casa. Era muito diferente do que é na realidade. Em vez de ter aquele ar adorável de casinha de campo, parecia uma daquelas casas todas modernas, muito minimalistas. Era completamente branca, e parecia feita de quadrados, construídas unicamente com linhas rectas perpendiculares entre si.
Entrei por uma garagem um pouco escura, onde a única fonte de luz era o portão aberto. Estava lá a minha mãe, a queixar-se de alguma coisa em relação ao meu padrasto. Estava furiosa. Ouvi-a em silêncio, sem nenhuma vontade de me envolver nas suas discussões.
Pouco depois ele apareceu, e começaram os dois a discutir. O problema tinha qualquer coisa haver com dinheiro... Sempre o dinheiro.
No meio de tantos gritos, tanta confusão, tanta coisa, a minha mãe disse-lhe algo que ele não gostou nada de ouvir (mas que era verdade). Ficaram os dois mudos, a olhar um para o outro por breves instantes. Depois, o meu padrasto voltou-nos as costas e foi-se embora. Eu subi as escadas juntamente com a minha mãe e entrámos num quarto espaçoso e bem iluminado, com duas grandes janelas que davam para duas varandas. O chão era de uma madeira muito clara. Suponho que há esquerda de quem entrava havia uma pequena cama de casal, e há direita uma parede toda ocupada por um guarda-fatos. Em suma, era um quarto muito semelhante ao de uma tia minha, só que, exceptuando a cama, estava completamente vazio.
Mal entrámos, ouvimos um ganido horrível, que nos fez tremer de receio e ansiedade. Nem um segundo passara, o meu padrasto apareceu numa das varandas (não sei como subiu até lá) e entrou no quarto, com um grande objecto metálico na mão. Não me recordo muito bem do que era, mas suponho que se tratasse de um pé-de-cabra.
-Sabes o que acabei de fazer? - perguntou à minha mãe, cheio de raiva -matei um cão.
Mal disse isto, começou a bater com aquelas coisa metálica no chão, disposto a destruir a casa.
Depois, tudo aconteceu muito rápido.
"Deus queira que não tenha não tenha sido um dos nossos" foi a primeira coisa que pensei (muitas pessoas costumam deixar os seus animais connosco quando se ausentam por um motivo qualquer, uma vez que nos servimos dos nossos canis como um hotel para cães). "E se foi o Alex?" pensei de seguida.
-AAAH! -rugi - Como podes ser tão mau?!
Atirei-me para cima dele e mordi-o com tanta força que penso que tenha arrancado um pedaço de carne da sua perna.
Acordei imediatamente depois, encharcada de suor.
sábado, 9 de abril de 2011
Esta noite, sonhei que ao sair do meu quarto ao entardecer, começava a falar com a minha família sobre a possibilidade de passar um semestre na Bélgica a estudar, até que de repente o meu professor de animação começou a subir as escadas. Não faço a menor ideia de como encontrou a minha casa.
-O-olá Zepe. - cumprimentei-o, um pouco atrapalhada pela surpresa.
-Hã? Ah! - fez ele, depois de um instante a olhar para mim, como se não me tivesse reconhecido logo - Olá, olá.
Dito isto, passou pelo Tomás, a Mãe e o Bé sem dizer nada e foi sentar-se à frente do nosso computador a trabalhar. Tinha tido alguma vontade de lhe dizer que estivesse à vontade, mas era evidente que não era preciso.
A minha família ficou a olhar para ele algum tempo, talvez à espera que ele os cumprimentasse ou então que lhes explicasse o que estava ali a fazer. Depois, deixaram de lhe prestar atenção e voltaram a fazer o que sempre fazem: o Tomás alojou-se na "sua" poltrona com o computador portátil ao colo, o Bé recostou-se no sofá para ver mais confortavelmente futebol, e a minha mãe desceu as escadas em direcção à cozinha, murmurando que tinha de preparar alguma coisa para os convidados. "Convidados?" pensei "Não sabia que vinha alguém cá a casa...". Segui-a, esperançosa de lamber as pás cobertas de chocolate da batedeira caso ela preparasse um bolo, ou então de roubar um pedaço de cebola, alho ou pimento, coisas que apesar de a maioria das pessoas não considerar nada apetecível, são autênticas iguarias para mim.
Mas a Mãe não cozinhou nada que me interessasse. Fiquei um bocadinho em silêncio ao pé dela, até que uma senhora entrou em nossa casa. Vinha com um cigarro na mão e parecia ter algo muito importante de que falar. Não tenho a certeza se seria a tia Graça... Seja como fôr, depois dela veio outra, e mais outra... Todas tagarelavam ao mesmo tempo umas com as outras, e, farta de ouvir aquele barulho contínuo que lembrava o cacarejar de dezenas de galinhas, saí da cozinha e tornei a subir as escadas. Também estava cheio de gente: nunca tinha visto a nossa casa tão cheia. Contornei as pessoas para ir ter com o meu professor. No caminho, comecei a apontar para as pessoas, dizendo:
-Tu és boa pessoa... Tu és boa pessoa...
E foi então que encontrei a tia Judite, irmã do meu pai. Ao reconhecê-la, aproximei-me dela, com o indicador esticado na sua direcção, e sibilei com um sorriso de desprezo:
-Tu... és má pessoa.
Assim que acabei de falar a cabeça dela desfez-se em tiras, que caíram sobre os ombros todas enrugadas, tal e qual um balão esvaziado. Depois disto, aproximei-me com a maior naturalidade do Zepe, que continuava a um canto todo inclinado sobre monitor.
Ao lado dele, estava Darcy, um aluno de animação do terceiro ano. Os dois discutiam um projecto qualquer, e eu fiquei ali a ouvir a conversa à espera de uma oportunidade para participar. Como ela nunca mais chegava, rodei sobre os calcanhares para ir para o meu quarto, e escapar a toda aquela monotonia, barulho, confusão...
Contornei pessoas com rosto deformados, semelhantes a retratos abstractos ou cartoons demasiado estilizados, até me fechar atrás da porta azul.
Estendi-me na minha cama, que estava muito mais rente ao chão do que na realidade, e, ao rebolar sobre mim mesma e ficar de costas para a porta, vi que não havia paredes daquele lado do meu quarto, e que a relva, as pedras, a floresta de mimosas entrava por ali a dentro. Sentei-me na cama, maravilhada com a vista dos montes, das casinhas brancas pequeninas, logo a seguir à floresta.
Tive uma vontade tão grande de sair do meu quarto e passear para sempre naquele lugar...
-O-olá Zepe. - cumprimentei-o, um pouco atrapalhada pela surpresa.
-Hã? Ah! - fez ele, depois de um instante a olhar para mim, como se não me tivesse reconhecido logo - Olá, olá.
Dito isto, passou pelo Tomás, a Mãe e o Bé sem dizer nada e foi sentar-se à frente do nosso computador a trabalhar. Tinha tido alguma vontade de lhe dizer que estivesse à vontade, mas era evidente que não era preciso.
A minha família ficou a olhar para ele algum tempo, talvez à espera que ele os cumprimentasse ou então que lhes explicasse o que estava ali a fazer. Depois, deixaram de lhe prestar atenção e voltaram a fazer o que sempre fazem: o Tomás alojou-se na "sua" poltrona com o computador portátil ao colo, o Bé recostou-se no sofá para ver mais confortavelmente futebol, e a minha mãe desceu as escadas em direcção à cozinha, murmurando que tinha de preparar alguma coisa para os convidados. "Convidados?" pensei "Não sabia que vinha alguém cá a casa...". Segui-a, esperançosa de lamber as pás cobertas de chocolate da batedeira caso ela preparasse um bolo, ou então de roubar um pedaço de cebola, alho ou pimento, coisas que apesar de a maioria das pessoas não considerar nada apetecível, são autênticas iguarias para mim.
Mas a Mãe não cozinhou nada que me interessasse. Fiquei um bocadinho em silêncio ao pé dela, até que uma senhora entrou em nossa casa. Vinha com um cigarro na mão e parecia ter algo muito importante de que falar. Não tenho a certeza se seria a tia Graça... Seja como fôr, depois dela veio outra, e mais outra... Todas tagarelavam ao mesmo tempo umas com as outras, e, farta de ouvir aquele barulho contínuo que lembrava o cacarejar de dezenas de galinhas, saí da cozinha e tornei a subir as escadas. Também estava cheio de gente: nunca tinha visto a nossa casa tão cheia. Contornei as pessoas para ir ter com o meu professor. No caminho, comecei a apontar para as pessoas, dizendo:
-Tu és boa pessoa... Tu és boa pessoa...
E foi então que encontrei a tia Judite, irmã do meu pai. Ao reconhecê-la, aproximei-me dela, com o indicador esticado na sua direcção, e sibilei com um sorriso de desprezo:
-Tu... és má pessoa.
Assim que acabei de falar a cabeça dela desfez-se em tiras, que caíram sobre os ombros todas enrugadas, tal e qual um balão esvaziado. Depois disto, aproximei-me com a maior naturalidade do Zepe, que continuava a um canto todo inclinado sobre monitor.
Ao lado dele, estava Darcy, um aluno de animação do terceiro ano. Os dois discutiam um projecto qualquer, e eu fiquei ali a ouvir a conversa à espera de uma oportunidade para participar. Como ela nunca mais chegava, rodei sobre os calcanhares para ir para o meu quarto, e escapar a toda aquela monotonia, barulho, confusão...
Contornei pessoas com rosto deformados, semelhantes a retratos abstractos ou cartoons demasiado estilizados, até me fechar atrás da porta azul.
Estendi-me na minha cama, que estava muito mais rente ao chão do que na realidade, e, ao rebolar sobre mim mesma e ficar de costas para a porta, vi que não havia paredes daquele lado do meu quarto, e que a relva, as pedras, a floresta de mimosas entrava por ali a dentro. Sentei-me na cama, maravilhada com a vista dos montes, das casinhas brancas pequeninas, logo a seguir à floresta.
Tive uma vontade tão grande de sair do meu quarto e passear para sempre naquele lugar...
A caminho da Terra Prometida a cavalo numa girafa
Mais uma vez, sonhei que estava a caminho de Moçambique: eu, o meu irmão e a minha tínhamos empreendido numa longa viagem até à Terra Prometida.
Atravessámos a pé uma planície árida, muito semelhante ao Alentejo, que pouco a pouco se converteu numa savana. Começámos então a ver animais selvagens à nossa volta: manadas de zebras, alguns leões que dormiam debaixo das árvores, abrigados na sombra do sol abrasador.
De repente, o bonito céu azul e brilhante que nos cobria tornou-se cinzento, e grandes gotas de chuva desabaram sobre nós. Quando a água nos dava pela cintura, não sei o que fizemos, mas do nada apareceram três girafas, que montámos.
Continuámos assim a nossa viagem, até deparar-mo-nos com portagens; o valor a pagar era tão alto que não pudemos seguir em frente, e novamente não chegámos a Moçambique.
É muito curioso... nos meus sonhos (e, confesso, também na vida real) Moçambique é sempre a Terra Prometida, e faço de tudo para lá chegar. No entanto, nunca consigo. Lembro-me que há uns anos sonhei que um hipopótamo se atravessava no nosso caminho, ou algo do género, e que num outro sonho não podíamos pagar a gasolina do jipe que conduzíamos.
Atravessámos a pé uma planície árida, muito semelhante ao Alentejo, que pouco a pouco se converteu numa savana. Começámos então a ver animais selvagens à nossa volta: manadas de zebras, alguns leões que dormiam debaixo das árvores, abrigados na sombra do sol abrasador.
De repente, o bonito céu azul e brilhante que nos cobria tornou-se cinzento, e grandes gotas de chuva desabaram sobre nós. Quando a água nos dava pela cintura, não sei o que fizemos, mas do nada apareceram três girafas, que montámos.
Continuámos assim a nossa viagem, até deparar-mo-nos com portagens; o valor a pagar era tão alto que não pudemos seguir em frente, e novamente não chegámos a Moçambique.
É muito curioso... nos meus sonhos (e, confesso, também na vida real) Moçambique é sempre a Terra Prometida, e faço de tudo para lá chegar. No entanto, nunca consigo. Lembro-me que há uns anos sonhei que um hipopótamo se atravessava no nosso caminho, ou algo do género, e que num outro sonho não podíamos pagar a gasolina do jipe que conduzíamos.
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