Tive há poucas noites um sonho curioso: estava com a minha colega Sofia em frente a uma grande montra.
Não sei bem o que havia na loja, porque não estava nada exposto na vitrina, podia até ser um escritório.
Chegaram, então, uma mãe e o filho. O rapaz devia ter uns sete ou oito anos, tinha o cabelo curto e espetado, claro, e usava óculos. Foi até à montra com passos decididos e pôs-se a espreitar o que haveria lá dentro.
Depois, começou a bater no vidro como quem bate à porta. A mãe tentou detê-lo, mas o míudo ignorou-a e continuou a bater no vidro, cada vez com mais força, com as duas mãos, até, enquanto chamava por alguém que o deixasse entrar.
Passado pouco tempo, veio um empregado de dentro da loja e abriu uma porta, também de vidro, por onde a mãe entrou.
O filho, por sua vez, continuou a bater no vidro, e quando a mãe tornou a sair para o vir buscar, ele recusou-se a entrar pela porta: tinha de ser pela montra!
Ao meu lado, Sofia disse:
-Okaaay...
domingo, 2 de maio de 2010
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Next, on Cartoon Network...
Há algumas noites, sonhei que me encontrava face a face com a Rainha de Copas, num apartamento. Decidiu a rainha que, para seu divertimento, largar-se-ia uma terrível besta que iria perseguir-me e matar-me se me apanhasse, para seu divertimento.
No momento em que disse isto, uma porta abriu-se de rompante e ouviu-se o rugido de um monstro horrivel: era muito alto e magro, sem pele, só ossos e carne putrefacta, em alguns lugares ainda brilhante de sangue vermelho. O rosto era uma caveira, rodeada de uma juba verde e castanha. Lembro-me perfeitamente: no lugar dos olhos, tinha duas opalas negras, e os dedos terminavam em longas e afiadas garras escuras.
Larguei a correr como nunca na minha vida.
Ao abrir a porta de entrada do apartamento, deparei-me com vários lances de escada, e pus-me logo a descê-los o mais depressa que podia, a saltar tantos degraus quanto conseguia.
O monstro perseguia-me entre rugidos, sacudindo com força o corrimão, cheio de raiva.
Eu tinha a certeza de que se chegasse ao fim das escadas, encontraria uma saída e conseguiria escapar para fora do prédio, mas, ao abrir a porta que deveria dar para a rua, dei comigo novamente na sala da rainha, com a besta à minha frente, a rosnar.
Tornei a correr dali para fora, em direcção às escadas, com o monstro sempre atrás de mim. Só que desta vez eu estava cansada... Ao vê-lo aproximar-se cada vez mais de mim, triunfante, tive uma ideia: saltei o corrimão e, esticando o corpo, deixei-me cair entre os lances de escadas.
Estava à espera de aterrar com um estrondo lá em baixo, e de me magoar, mas os meus pés tocaram delicadamente no chão, e, graciosa e leve como uma pluma, pousei.
Desta vez, quando abrir a porta do prédio, dei comigo realmente lá fora.
Então, deixei de ser eu quem fugia, tornei-me mera observadora, e vi como o grilo Falante, a consciência de Pinóquio, saía a correr do prédio, a fugir da fera que a Rainha de Copas libertara. Ao ver uma corda pendurada à sua frente, o Grilo decidiu puxá-la, certo de que, se o fizesse, caíra sobre o monstro um lençol que o prenderia, como se fosse uma rede.
Porém, não conseguiu fazê-lo: não era suficientemente pesado, e, resignado, decidiu explicar ao monstro o seu plano, confiante, certo de que este o compreenderia e perdoaria.
Assim, como uma criança arrependida, o Grilo disse tudo sobre a artimanha à besta, que já não era a coisa horrenda que me perseguira mas o Gato de Cheshire, que olhava céptico para a corda que o outro apontava.
-... e depois eu fazia assim... -ia exemplificar o Grilo, pendurando-se na corda. Ao fazê-lo, uma grande manta azul caiu pesada sobre o Gato, que bufou e bramiu as garras em todas as direcções, emaranhando-se cada vez mais na armadilha, dando tempo ao Grilo para fugir.
Nesse instante, o Grilo deixou de existir e era eu quem fugia novamente.
Enquanto me afastava, avistei ao longe Hevvin, que andava de um lado para o outro todo curvado e nas pontas dos pés, de punhal na mão, à procura de uma vítima.
Fui ter com ele, que, ao ver-me, sorriu com malícia e afagou com a ponta do indicador o punhal, antes de escondê-lo atrás das costas e me cumprimentar com delicadeza.
Levou-me pela mão até ao pátio de uma prisão, cercado por uma grade coroada de arame farpado, e sentámo-nos frente a frente a uma mesa.
Lá, pediu-me em casamento, ao mesmo tempo que, erguendo o punhal, se precipitava sobre mim:
-MARRY ME! MARRY ME!!
Gritei, e agarrei-o com toda a força pelo pulso, tentando afastar o punhal.
Enquanto espumava da boca e investia contra mim, continuava a perguntar-me se aceitava o seu pedido.
Não sei como, mas consegui arrancar-lhe o punhal da mão e tentei atirá-lo por cima da grade do pátio... Mas Hevvin empurrava-me e puxava-me uma e outra vez, rápido e com força, e não consegui atirar para longe a arma: caiu mesmo atrás dele, perto de uma outra mesa onde estavam sentados Ed, Edd e Eddy, a conversar:
-Por favor! Atirem o punhal lá para fora! - implorei -I promise I'll reward you!
Ao ouvirem a palavra "reward", os três saltaram sobre o punhal ao mesmo tempo, e, emvez de fazerem o que lhes fôra pedido, começaram a lutar uns com os outros, a ver quem atiraria o punhal lá para fora.
Assim, Hevvin recuperou sem esforço o punhal.
Não me lembro como terminou o sonho... Todos os personagens nesta história, excluindo eu e a besta, são desenhos animados, todos muito conhecidos. Se o leitor não souber nada àcerca deles, poderá descobrir rapidamente, através de uma pesquisa no Google.
Só é menos provável que encontrem algo relativo a Hevvin (lê-se "Heaven", já agora): trata-se de um personagem de uma banda-desenhada de Hot-Choc. O seu nome completo é Hevvin Angelbright, e ele é o ultimo unicórnio à face da terra... uma vez que matou todos os outros.
Se alguém quiser saber algo mais àcerca de Hevvin, visite:
http://hot-choc.deviantart.com/
No momento em que disse isto, uma porta abriu-se de rompante e ouviu-se o rugido de um monstro horrivel: era muito alto e magro, sem pele, só ossos e carne putrefacta, em alguns lugares ainda brilhante de sangue vermelho. O rosto era uma caveira, rodeada de uma juba verde e castanha. Lembro-me perfeitamente: no lugar dos olhos, tinha duas opalas negras, e os dedos terminavam em longas e afiadas garras escuras.
Larguei a correr como nunca na minha vida.
Ao abrir a porta de entrada do apartamento, deparei-me com vários lances de escada, e pus-me logo a descê-los o mais depressa que podia, a saltar tantos degraus quanto conseguia.
O monstro perseguia-me entre rugidos, sacudindo com força o corrimão, cheio de raiva.
Eu tinha a certeza de que se chegasse ao fim das escadas, encontraria uma saída e conseguiria escapar para fora do prédio, mas, ao abrir a porta que deveria dar para a rua, dei comigo novamente na sala da rainha, com a besta à minha frente, a rosnar.
Tornei a correr dali para fora, em direcção às escadas, com o monstro sempre atrás de mim. Só que desta vez eu estava cansada... Ao vê-lo aproximar-se cada vez mais de mim, triunfante, tive uma ideia: saltei o corrimão e, esticando o corpo, deixei-me cair entre os lances de escadas.
Estava à espera de aterrar com um estrondo lá em baixo, e de me magoar, mas os meus pés tocaram delicadamente no chão, e, graciosa e leve como uma pluma, pousei.
Desta vez, quando abrir a porta do prédio, dei comigo realmente lá fora.
Então, deixei de ser eu quem fugia, tornei-me mera observadora, e vi como o grilo Falante, a consciência de Pinóquio, saía a correr do prédio, a fugir da fera que a Rainha de Copas libertara. Ao ver uma corda pendurada à sua frente, o Grilo decidiu puxá-la, certo de que, se o fizesse, caíra sobre o monstro um lençol que o prenderia, como se fosse uma rede.
Porém, não conseguiu fazê-lo: não era suficientemente pesado, e, resignado, decidiu explicar ao monstro o seu plano, confiante, certo de que este o compreenderia e perdoaria.
Assim, como uma criança arrependida, o Grilo disse tudo sobre a artimanha à besta, que já não era a coisa horrenda que me perseguira mas o Gato de Cheshire, que olhava céptico para a corda que o outro apontava.
-... e depois eu fazia assim... -ia exemplificar o Grilo, pendurando-se na corda. Ao fazê-lo, uma grande manta azul caiu pesada sobre o Gato, que bufou e bramiu as garras em todas as direcções, emaranhando-se cada vez mais na armadilha, dando tempo ao Grilo para fugir.
Nesse instante, o Grilo deixou de existir e era eu quem fugia novamente.
Enquanto me afastava, avistei ao longe Hevvin, que andava de um lado para o outro todo curvado e nas pontas dos pés, de punhal na mão, à procura de uma vítima.
Fui ter com ele, que, ao ver-me, sorriu com malícia e afagou com a ponta do indicador o punhal, antes de escondê-lo atrás das costas e me cumprimentar com delicadeza.
Levou-me pela mão até ao pátio de uma prisão, cercado por uma grade coroada de arame farpado, e sentámo-nos frente a frente a uma mesa.
Lá, pediu-me em casamento, ao mesmo tempo que, erguendo o punhal, se precipitava sobre mim:
-MARRY ME! MARRY ME!!
Gritei, e agarrei-o com toda a força pelo pulso, tentando afastar o punhal.
Enquanto espumava da boca e investia contra mim, continuava a perguntar-me se aceitava o seu pedido.
Não sei como, mas consegui arrancar-lhe o punhal da mão e tentei atirá-lo por cima da grade do pátio... Mas Hevvin empurrava-me e puxava-me uma e outra vez, rápido e com força, e não consegui atirar para longe a arma: caiu mesmo atrás dele, perto de uma outra mesa onde estavam sentados Ed, Edd e Eddy, a conversar:
-Por favor! Atirem o punhal lá para fora! - implorei -I promise I'll reward you!
Ao ouvirem a palavra "reward", os três saltaram sobre o punhal ao mesmo tempo, e, emvez de fazerem o que lhes fôra pedido, começaram a lutar uns com os outros, a ver quem atiraria o punhal lá para fora.
Assim, Hevvin recuperou sem esforço o punhal.
Não me lembro como terminou o sonho... Todos os personagens nesta história, excluindo eu e a besta, são desenhos animados, todos muito conhecidos. Se o leitor não souber nada àcerca deles, poderá descobrir rapidamente, através de uma pesquisa no Google.
Só é menos provável que encontrem algo relativo a Hevvin (lê-se "Heaven", já agora): trata-se de um personagem de uma banda-desenhada de Hot-Choc. O seu nome completo é Hevvin Angelbright, e ele é o ultimo unicórnio à face da terra... uma vez que matou todos os outros.
Se alguém quiser saber algo mais àcerca de Hevvin, visite:
http://hot-choc.deviantart.com/
Alguns episódios curiosos...
Às vezes, irrita-me profundamente não me lembrar dos meus sonhos, porque me recordo, ou contam-me, algumas coisas que digo e faço durante o sono.
À anos, quando era uma criança, passei uma noite em casa dos meus avós, com a minha mãe. Sei que estava que estava a sonhar com alguma coisa relacionada com "Pokemons", e que a meio do sonho disse: "Temos de salvá-lo!".
Pouco depois, também em casa dos meus avós, numa noite em que tive que dormir com a minha prima Marta, dei-lhe uma grande tareia, enquanto gritava para uma outra prima nossa, com quem estava a sonhar: "Vais pagá-las! Vais pagá-las, Ana Rute!! Larga-me, Tomás, larga-me!! Vais pagá-las!!!".
Segundo me contaram, a minha avó veio ao quarto acordar-me e perguntar-me se queria um copo de água. Ofegante, respondi que sim.
Bebi, devolvi o copo à minha avó, e quando tornei a adormecer, o sonho continuou.
Na manhã seguinte, Marta perguntou-me:
-Ó Carolina, com que é que sonháste hoje?
-Hoje? Hoje nem sequer sonhei...
Uma outra vez, em que os meus avós é que estavam em minha casa, a minha avó ficou surpreendida ao ver-me a atravessar o corredor, de olhos fechados e a dormir profundamente, e meter-me na casa-de-banho às escuras, sentar-me na sanita e desatar a rir às gargalhadas...
Quando já era mais velhas, e a Marta veio passar uma noite a minha casa e mais uma vez tivémos de dormir juntas, ela acordou a meio da noite comigo a cantar os "Jardins Proibidos". Segundo ela, eu estava muito feliz, a rir-me muito, como se estivesse num karaoke.
Mais recentemente, aliás, há alguns dias, sonhei que estava a na galhofa com um grupo de pessoas, e que a determinada altura todos cuspíamos para qualquer coisa... Acordei nesse mesmo instante, com a cara toda molhada de cuspo.
À anos, quando era uma criança, passei uma noite em casa dos meus avós, com a minha mãe. Sei que estava que estava a sonhar com alguma coisa relacionada com "Pokemons", e que a meio do sonho disse: "Temos de salvá-lo!".
Pouco depois, também em casa dos meus avós, numa noite em que tive que dormir com a minha prima Marta, dei-lhe uma grande tareia, enquanto gritava para uma outra prima nossa, com quem estava a sonhar: "Vais pagá-las! Vais pagá-las, Ana Rute!! Larga-me, Tomás, larga-me!! Vais pagá-las!!!".
Segundo me contaram, a minha avó veio ao quarto acordar-me e perguntar-me se queria um copo de água. Ofegante, respondi que sim.
Bebi, devolvi o copo à minha avó, e quando tornei a adormecer, o sonho continuou.
Na manhã seguinte, Marta perguntou-me:
-Ó Carolina, com que é que sonháste hoje?
-Hoje? Hoje nem sequer sonhei...
Uma outra vez, em que os meus avós é que estavam em minha casa, a minha avó ficou surpreendida ao ver-me a atravessar o corredor, de olhos fechados e a dormir profundamente, e meter-me na casa-de-banho às escuras, sentar-me na sanita e desatar a rir às gargalhadas...
Quando já era mais velhas, e a Marta veio passar uma noite a minha casa e mais uma vez tivémos de dormir juntas, ela acordou a meio da noite comigo a cantar os "Jardins Proibidos". Segundo ela, eu estava muito feliz, a rir-me muito, como se estivesse num karaoke.
Mais recentemente, aliás, há alguns dias, sonhei que estava a na galhofa com um grupo de pessoas, e que a determinada altura todos cuspíamos para qualquer coisa... Acordei nesse mesmo instante, com a cara toda molhada de cuspo.
Mendigos, Música e Violinos
Um dia depois do pesadelo que aqui publiquei antes, sonhei que estava em casa dos meus avós, com o meu irmão no quarto de visitas, debruçados na janela a olhar lá para baixo.
No terraço, encostado ao muro, estava um homem de aspecto miserável, mas que, com toda a dignidade do mundo, tocava violino. Era uma música lindíssima.
O meu irmão, deliciado, quis juntar-se-lhe: correu a pegar no seu violino, e foi ter com ele ao terraço. Pôs-se de pé sobre o muro e tocaram juntos.
Era tão bonita, a música, que eu até tinha pena de não saber tocar um instrumento qualquer, para me juntar a eles e fazer parte daquela melodia maravilhosa.
Procurei pela casa toda algo que eu pudesse tocar. Acabei por descobrir algo que até se parecia com um violino... Meio desfeito, é certo, e era diferente a maneira de usá-lo, mas, ainda assim, um violino: não tinha vara, e para o tocar era preciso friccionar com os dedos as cordas, prendendo-as com teclas montadas na cabeça do violino para tocar diferentes notas.
Lembro-me vagamente de um grande algazarra, de uma espécie de almoço, de ouvir a musica do meu irmão e do seu companheiro e de estar ansiosa por lhes mostrar o meu achado.
No terraço, encostado ao muro, estava um homem de aspecto miserável, mas que, com toda a dignidade do mundo, tocava violino. Era uma música lindíssima.
O meu irmão, deliciado, quis juntar-se-lhe: correu a pegar no seu violino, e foi ter com ele ao terraço. Pôs-se de pé sobre o muro e tocaram juntos.
Era tão bonita, a música, que eu até tinha pena de não saber tocar um instrumento qualquer, para me juntar a eles e fazer parte daquela melodia maravilhosa.
Procurei pela casa toda algo que eu pudesse tocar. Acabei por descobrir algo que até se parecia com um violino... Meio desfeito, é certo, e era diferente a maneira de usá-lo, mas, ainda assim, um violino: não tinha vara, e para o tocar era preciso friccionar com os dedos as cordas, prendendo-as com teclas montadas na cabeça do violino para tocar diferentes notas.
Lembro-me vagamente de um grande algazarra, de uma espécie de almoço, de ouvir a musica do meu irmão e do seu companheiro e de estar ansiosa por lhes mostrar o meu achado.
'Tô? Olha, é o do costume... ajudas-me a esconder um corpo?
Nestas férias da Páscoa, sonhei certa vez que eu e o Liro tinhamos morto um homem. Nunca vi a nossa vítima, nem no sonho nem na vida, mas sei que era um homem baixo, gordo, meio careca e de pele rosada, que usava uma camisa enfiada por umas calças de pano adentro.
Devia ter sido uma pessoa muito má, porque eu e o Liro estávamos mesmo contentes por tê-lo morto. Mesmo muito, muito satisfeitos.
No Parque das Nações, atirámos o corpo ao Rio Tejo e afastámo-nos, a rir e a falar alegremente do que tínhamos feito, orgulhosos do crime que havíamos cometido.
Não muito longe, estavam alguns armazéns, onde entrámos. Encaminhámo-nos para uma cozinha apertada, de paredes altas com a tinta a estalar, cheia de electrodomésticos velhos, todos ferrugentos.
Num repente, zangámo-nos. Começámos a discutir não sei porquê, e, do nada, as luzes apagaram-se. Não se ouviu um som.
Quando voltei a ver, o Liro tinha desaparecido: a cozinha estava suja de sangue, havia alguma carne picada numa trituradora, e um braço cortado pouco acima do cotovelo no micro-ondas.
Horrorizada, percebi que o Liro estava morto. E, como não havia ninguém por perto, deduzi que fôra eu quem o matara.
-Calma... Calma... - murmurei, enquanto pensava no que devia fazer.
Saí a correr do armazém e fui ter com um grupo de amigos que passeava à beira do rio. Entre eles, distingui Sara. Fui ter com ela e contei-lhe o que acontecera, e, apesar de ser uma grande amiga do Liro, não ficou triste, ou zangada, nem sequer surpreendida.
Disse-me que me ia ajudar a esconder o corpo, e que ia ficar tudo bem.
Regressámos juntas aos armazéns, entrámos na cozinha e deparámo-nos com tudo limpo, sem sinais do cadáver.
Fiquei desesperada: alguém o tinha encontrado. Estava condenada, sem dúvida, não havia nada que pudesse fazer... E agora? Estava tristíssima por ter morto o meu amigo, e a culpa esmagava-me... Sabia que merecia ir presa. Porém, eu não o fizera por querer. Nem sequer me lembrava de nada, era como se tivesse perdido o controlo do meu corpo, e portanto não pudesse escolher matá-lo ou não! Além do mais, lá por eu ir presa, por perder não-sei-quantos anos da minha vida, ele não ia voltar a viver, pois não? Tinha de fugir.
Entretanto, a Sara não perdera a calma, e na sua voz ao mesmo tempo doce, preguiçosa e desinteressada, falava ao telemóvel:
-'Tô? Então, 'tás bom? Tudo bem? Sim, eu também... Olha, é o do costume... Ajudas-me a esconder um corpo?
Devia ter sido uma pessoa muito má, porque eu e o Liro estávamos mesmo contentes por tê-lo morto. Mesmo muito, muito satisfeitos.
No Parque das Nações, atirámos o corpo ao Rio Tejo e afastámo-nos, a rir e a falar alegremente do que tínhamos feito, orgulhosos do crime que havíamos cometido.
Não muito longe, estavam alguns armazéns, onde entrámos. Encaminhámo-nos para uma cozinha apertada, de paredes altas com a tinta a estalar, cheia de electrodomésticos velhos, todos ferrugentos.
Num repente, zangámo-nos. Começámos a discutir não sei porquê, e, do nada, as luzes apagaram-se. Não se ouviu um som.
Quando voltei a ver, o Liro tinha desaparecido: a cozinha estava suja de sangue, havia alguma carne picada numa trituradora, e um braço cortado pouco acima do cotovelo no micro-ondas.
Horrorizada, percebi que o Liro estava morto. E, como não havia ninguém por perto, deduzi que fôra eu quem o matara.
-Calma... Calma... - murmurei, enquanto pensava no que devia fazer.
Saí a correr do armazém e fui ter com um grupo de amigos que passeava à beira do rio. Entre eles, distingui Sara. Fui ter com ela e contei-lhe o que acontecera, e, apesar de ser uma grande amiga do Liro, não ficou triste, ou zangada, nem sequer surpreendida.
Disse-me que me ia ajudar a esconder o corpo, e que ia ficar tudo bem.
Regressámos juntas aos armazéns, entrámos na cozinha e deparámo-nos com tudo limpo, sem sinais do cadáver.
Fiquei desesperada: alguém o tinha encontrado. Estava condenada, sem dúvida, não havia nada que pudesse fazer... E agora? Estava tristíssima por ter morto o meu amigo, e a culpa esmagava-me... Sabia que merecia ir presa. Porém, eu não o fizera por querer. Nem sequer me lembrava de nada, era como se tivesse perdido o controlo do meu corpo, e portanto não pudesse escolher matá-lo ou não! Além do mais, lá por eu ir presa, por perder não-sei-quantos anos da minha vida, ele não ia voltar a viver, pois não? Tinha de fugir.
Entretanto, a Sara não perdera a calma, e na sua voz ao mesmo tempo doce, preguiçosa e desinteressada, falava ao telemóvel:
-'Tô? Então, 'tás bom? Tudo bem? Sim, eu também... Olha, é o do costume... Ajudas-me a esconder um corpo?
quarta-feira, 24 de março de 2010
A Rapariga Desfeita
Esta noite, tive um pesadelo terrível: passava-se na minha faculdade, junto à porta que dá para o auditório grande.
É muito difícil explicar o que se passou... Porque, apesar de no meu sonho eu ser eu, e de ter consciência disso, eu via algo que se passava longe de mim, através do olhos de um rapaz. Nunca o vi, nem sequer sei se existe. Só sei que no meu sonho, eu e ele víamos o mesmo:
Lembro-me que, diante desse rapaz, estava uma raparia nua, que também nunca vi. Era muito pálida: a sua pele tinha um tom assustador, entre o rosa e o roxo, e sob a mesma distinguiam-se veias vermelhas e azuis.
Tinha o cabelo preto e curto, pelo queixo.
Não era bonita: tinha o corpo inchado e uma expressão triste mas determinada:
-É preciso! -insistia ela.
De repente, apareceu um enorme cão preto de orelhas cortadas, que a atacou. Ela gritou de dor, mas não tentou fugir, nem sequer afastar o cão: manteve-se de pé, a berrar:
-É preciso! Tem de ser!
O cão arrancou a pele e a carne da sua barriga, deixando à vista os órgãos, cobertos de sangue brilhante.
Eu não quis ver mais e o rapaz desviou os olhos, mas quando a rapariga tornou a gritar, ele teve de olhar outra vez para ela, e ambos vimos a cara dela ser arrancada.
Lembro-me muito bem do crânio dela, encharcado de sangue.
E ela continuava viva, a gritar de dor.
Em pensamento, pedi ao rapaz para ir embora. Ele deixou, e dei comigo diante das escadas em caracol da faculdade, perto da entrada para o auditório.
Pouco depois passou por mim o rapaz, de mão dada com a rapariga. Ela vinha inteira, sem uma única marca.
-Como fizeste isso? -perguntei-lhe.
Ela limitou-se a sorrir debilmente: ainda estava muito fraca.
É muito difícil explicar o que se passou... Porque, apesar de no meu sonho eu ser eu, e de ter consciência disso, eu via algo que se passava longe de mim, através do olhos de um rapaz. Nunca o vi, nem sequer sei se existe. Só sei que no meu sonho, eu e ele víamos o mesmo:
Lembro-me que, diante desse rapaz, estava uma raparia nua, que também nunca vi. Era muito pálida: a sua pele tinha um tom assustador, entre o rosa e o roxo, e sob a mesma distinguiam-se veias vermelhas e azuis.
Tinha o cabelo preto e curto, pelo queixo.
Não era bonita: tinha o corpo inchado e uma expressão triste mas determinada:
-É preciso! -insistia ela.
De repente, apareceu um enorme cão preto de orelhas cortadas, que a atacou. Ela gritou de dor, mas não tentou fugir, nem sequer afastar o cão: manteve-se de pé, a berrar:
-É preciso! Tem de ser!
O cão arrancou a pele e a carne da sua barriga, deixando à vista os órgãos, cobertos de sangue brilhante.
Eu não quis ver mais e o rapaz desviou os olhos, mas quando a rapariga tornou a gritar, ele teve de olhar outra vez para ela, e ambos vimos a cara dela ser arrancada.
Lembro-me muito bem do crânio dela, encharcado de sangue.
E ela continuava viva, a gritar de dor.
Em pensamento, pedi ao rapaz para ir embora. Ele deixou, e dei comigo diante das escadas em caracol da faculdade, perto da entrada para o auditório.
Pouco depois passou por mim o rapaz, de mão dada com a rapariga. Ela vinha inteira, sem uma única marca.
-Como fizeste isso? -perguntei-lhe.
Ela limitou-se a sorrir debilmente: ainda estava muito fraca.
terça-feira, 16 de março de 2010
A marcha dos Pinguins
Não sei como é que ainda não fiz nenhum post sobre este sonho: foi um dos mais engraçados que já tive, cheguei a fazer desenhos e alguns story-boards sobre ele.
Sonhei que, na mesinha de cabeceira do meu pai, havia uma folha de papel, onde ficava a praceta onde é a minha casa. Lá, vivia uma comunidade de pinguins, que, comandados por uma menina, construíam flores a partir de palitos.
Esses pinguins eram muito infeliz: o grande sonho deles era fazer flores verdadeiras!
Por isso, decidiram tomar uma atitude!
Liderados por um pinguim que usava óculos de sol, eles marcharam pela pequena praceta entoando "Somebody to Love".
Devo ter visto "Happy Feet" naquela noite, antes de me deitar.
Sonhei que, na mesinha de cabeceira do meu pai, havia uma folha de papel, onde ficava a praceta onde é a minha casa. Lá, vivia uma comunidade de pinguins, que, comandados por uma menina, construíam flores a partir de palitos.
Esses pinguins eram muito infeliz: o grande sonho deles era fazer flores verdadeiras!
Por isso, decidiram tomar uma atitude!
Liderados por um pinguim que usava óculos de sol, eles marcharam pela pequena praceta entoando "Somebody to Love".
Devo ter visto "Happy Feet" naquela noite, antes de me deitar.
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